Cisplatina na HIPEC pelo plano de saúde: regras de cobertura

Cisplatina na HIPEC pelo plano de saúde: regras de cobertura

Data de publicação: 29/09/2020
A cisplatina é um medicamento antineoplásico utilizado em diferentes protocolos de tratamento contra o câncer. Na HIPEC, sua indicação e forma de administração precisam ser avaliadas conforme o protocolo médico. - Imagem gerada por IA

Conteúdo atualizado em 30 de outubro de 2026.

Quando o médico indica a cisplatina (Fauldcispla®) para a quimioterapia hipertérmica intraperitoneal (HIPEC), o paciente pode enfrentar uma dificuldade adicional ao tratamento: a negativa de cobertura pelo plano de saúde. Como se trata de um procedimento especializado, é importante entender quais regras se aplicam ao medicamento, à cirurgia e à quimioterapia realizada na cavidade abdominal.

A cisplatina é um medicamento antineoplásico utilizado em diferentes tratamentos contra o câncer. Segundo a bula do Fauldcispla®, suas indicações incluem tumores de testículo, ovário, bexiga e cabeça e pescoço. Na HIPEC, o quimioterápico é administrado diretamente na cavidade abdominal, sob temperatura controlada, como parte de uma estratégia terapêutica associada à cirurgia citorredutora.

Esse uso não aparece entre as indicações da bula do medicamento e, portanto, é discutido como off-label, ou seja, fora das condições de uso aprovadas pela Anvisa.

O plano de saúde pode ser obrigado a custear a cisplatina na HIPEC, dependendo da indicação clínica e do enquadramento do procedimento nas regras de cobertura. 

A análise não se limita ao registro do medicamento na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ou à presença de um procedimento no Rol de Procedimentos e Eventos da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). 

Também é necessário considerar o tipo de tumor, a indicação médica, as regras específicas da agência reguladora e, quando aplicável, os critérios estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Nas próximas seções, você verá o que é a cisplatina, quando ela é utilizada, quanto custa e o que a Anvisa e a ANS estabelecem sobre sua cobertura pelo plano de saúde. Também entenderá os critérios para analisar uma negativa do plano de saúde.

Confira:


Resumo: cobertura da cisplatina (Fauldcispla®) pelo plano de saúde

  • Medicamento: a cisplatina (Fauldcispla®) tem registro na Anvisa e pode integrar protocolos de tratamento oncológico. Sua cobertura depende da indicação e da modalidade assistencial em que é utilizada.
  • Bula: as indicações aprovadas incluem câncer de testículo, ovário, bexiga e cabeça e pescoço. O uso na HIPEC não está expressamente previsto na bula, sendo discutido como off-label.
  • Procedimento: o Parecer Técnico nº 38/2021 da ANS reconhece a cobertura obrigatória da HIPEC associada à cirurgia citorredutora para tumores mucinosos do apêndice cecal (pseudomixoma peritoneal) e mesotelioma peritoneal.
  • Outros tumores: para indicações sem recomendação expressa do Conselho Federal de Medicina (CFM), o parecer não reconhece cobertura obrigatória por essa via, considerando-as experimentais para fins de aplicação das regras regulatórias.
  • Fora do rol: a ADI 7265 do STF estabelece cinco requisitos cumulativos para a cobertura excepcional de tratamentos não incluídos no rol da ANS.
  • Custo: o frasco de Fauldcispla® 1 mg/mL tem preço de fábrica de R$ 77,85 (10 mL) ou R$ 364,31 (50 mL), conforme os valores de referência da CMED. O custo total da HIPEC inclui estrutura hospitalar, materiais e outros medicamentos.
  • Em caso de negativa: identifique o que foi recusado, se o medicamento, a HIPEC, a cirurgia ou o conjunto do tratamento, e solicite a justificativa por escrito.
  • Análise individual: a possibilidade de cobertura depende do tipo de tumor, da indicação médica, das evidências científicas, das regras regulatórias e do contrato, sem garantia de resultado.
Fale com um advogado especialista em planos de saúde Fale com um advogado especialista em planos de saúde
A quimioterapia hipertérmica intraperitoneal (HIPEC) é realizada associada à cirurgia citorredutora e possui critérios específicos de cobertura pelo plano de saúde. - Imagem gerada por IA.

O que é a cisplatina (Fauldcispla®) e para quem é indicada?

A cisplatina é um medicamento quimioterápico à base de platina. Ela atua sobre o DNA das células, dificultando sua multiplicação e contribuindo para a destruição das células tumorais. O Fauldcispla® é uma das apresentações comerciais disponíveis, e o medicamento é administrado por via intravenosa em diferentes esquemas de tratamento oncológico.

Segundo a bula do Fauldcispla®, a cisplatina é indicada para o tratamento de câncer de:

  • Testículo;
  • Ovário;
  • Bexiga;
  • Cabeça e pescoço.

Fora dessas indicações, a cisplatina também pode integrar outros protocolos terapêuticos, entre eles a quimioterapia hipertérmica intraperitoneal (HIPEC).

Nesse procedimento, após a cirurgia para retirada dos tumores visíveis da cavidade abdominal, uma solução contendo o quimioterápico é introduzida diretamente na região, sob temperatura controlada. A finalidade é tratar possíveis células tumorais remanescentes na superfície do peritônio.

A escolha da cisplatina na HIPEC depende da indicação do oncologista e do protocolo terapêutico adotado. O médico considera o tipo e a extensão do tumor, os tratamentos anteriores, o objetivo da terapia e a possibilidade de utilizar outros medicamentos.

O diagnóstico de câncer não determina a escolha do quimioterápico ou a indicação da HIPEC. Esses fatores dependem da avaliação clínica e das características da doença.

Também é importante distinguir o uso off-label de um tratamento experimental. O uso off-label ocorre quando o medicamento é prescrito fora das indicações aprovadas em bula. Essa circunstância não significa que o tratamento seja experimental ou que sua cobertura possa ser automaticamente recusada.

A avaliação depende das evidências científicas disponíveis, da indicação médica e das regras regulatórias aplicáveis ao tratamento.

Por isso, pacientes que recebem prescrição de cisplatina podem ter situações diferentes quanto à cobertura pelo plano de saúde. A análise deve considerar a indicação clínica, a forma de administração e o procedimento ao qual o medicamento está associado, e não apenas o nome comercial ou o princípio ativo.


Frasco barato, HIPEC cara: de onde vem a diferença?

A cisplatina tem um custo unitário relativamente baixo quando comparada a outros medicamentos antineoplásicos. Entretanto, o valor necessário para o tratamento varia conforme a apresentação, a dose e o protocolo terapêutico.

O Fauldcispla® é comercializado para uso hospitalar, em frascos de solução injetável de 1 mg/mL, com diferentes volumes.

Apresentação

Preço de fábrica (CMED)

Fauldcispla® 1 mg/mL, frasco de 10 mL

R$ 77,85

Fauldcispla® 1 mg/mL, frasco de 50 mL

R$ 364,31

O preço de um frasco não representa o custo total do tratamento. A quantidade de medicamento utilizada depende do protocolo definido pela equipe médica, das características do paciente e da indicação clínica.

Na quimioterapia hipertérmica intraperitoneal (HIPEC), os gastos vão além do medicamento. O procedimento envolve estrutura hospitalar especializada, materiais, equipamentos, outros medicamentos e profissionais de diferentes especialidades.

Por isso, o valor total pode variar consideravelmente entre pacientes e instituições hospitalares.

Para analisar a cobertura pelo plano de saúde, o preço da cisplatina é apenas um dos elementos. Também precisam ser considerados a indicação médica, o procedimento associado e as regras de cobertura aplicáveis à modalidade de tratamento.


O que a ANS prevê sobre a cobertura da HIPEC e da quimioterapia?

A cobertura da cisplatina na HIPEC exige a análise de questões diferentes: o medicamento tem registro na Anvisa? A quimioterapia está contemplada nas regras de cobertura? O procedimento de HIPEC tem indicação reconhecida pela ANS?

O Fauldcispla® tem registro sanitário na Anvisa (MS nº 1.0033.0140), da Libbs, e é apresentado como solução injetável para administração intravenosa.

O registro sanitário autoriza a comercialização do medicamento nas condições aprovadas pela Anvisa, mas não significa que o plano de saúde deva custear qualquer utilização do produto. A cobertura assistencial segue regras próprias.


Cobertura da quimioterapia oncológica

Na saúde suplementar, a RN 465/2021 da ANS prevê a cobertura obrigatória da quimioterapia oncológica ambulatorial, conforme o artigo 18, inciso IX.

Essa modalidade compreende a administração de remédios para tratamento do câncer, incluindo os antineoplásicos, os medicamentos destinados ao controle dos efeitos adversos e os adjuvantes, independentemente da via de administração e da classe terapêutica, quando houver necessidade de intervenção ou supervisão direta de profissionais de saúde em estabelecimento assistencial.

A cisplatina pode estar abrangida por essa previsão quando integra um protocolo de quimioterapia oncológica ambulatorial que atende aos critérios regulatórios.

Entretanto, essa regra não resolve isoladamente a questão da cisplatina utilizada na HIPEC.

A quimioterapia hipertérmica intraperitoneal é realizada associada à cirurgia citorredutora e possui enquadramento específico nas regras da ANS. Portanto, sua cobertura precisa ser analisada conforme as características do procedimento e as indicações reconhecidas pela agência.


O que diz o Parecer Técnico nº 38/2021 sobre a HIPEC?

O Parecer Técnico nº 38/2021 da ANS trata especificamente da cobertura da quimioterapia intraperitoneal hipertérmica.

O documento considera as indicações reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e estabelece a cobertura obrigatória da HIPEC quando associada à cirurgia citorredutora para o tratamento de dois grupos de tumores:

  1. Tumores mucinosos do apêndice cecal, relacionados ao pseudomixoma peritoneal: neoplasias que podem provocar acúmulo de material mucinoso na cavidade abdominal.
  2. Mesotelioma peritoneal: tumor maligno que se desenvolve no peritônio, membrana que reveste a cavidade abdominal e recobre parte dos órgãos.

Nessas situações, o parecer considera a HIPEC associada à cirurgia citorredutora parte do tratamento padrão reconhecido pelo CFM e determina que a cobertura seja assegurada pelas operadoras, observadas as condições contratuais e assistenciais aplicáveis.

Para as demais indicações constantes no parecer do CFM, que não contam com recomendação expressa do Conselho, a ANS considera o procedimento experimental para fins de aplicação das regras de cobertura obrigatória, com fundamento no artigo 10, inciso I, da Lei nº 9.656/1998 e no artigo 17, parágrafo único, inciso I, da RN 465/2021.

É nesse ponto que surgem muitas das negativas de cobertura da HIPEC.

Guia sobre reajuste do plano de saúde Guia sobre reajuste do plano de saúde
Em caso de negativa de cobertura da HIPEC, o paciente deve reunir o relatório médico, a prescrição, os exames e a justificativa formal apresentada pelo plano de saúde. - Imagem gerada por IA

HIPEC fora das indicações reconhecidas: o que muda com a ADI 7265?

Quando a indicação médica não está contemplada nas hipóteses reconhecidas pelo Parecer Técnico nº 38/2021, a discussão sobre a cobertura pode envolver também os critérios estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADI 7265, finalizado em 18 de setembro de 2025.

O STF estabeleceu que a cobertura de tratamentos ou procedimentos não previstos no rol da ANS depende do preenchimento cumulativo de cinco requisitos:

  1. Prescrição por profissional habilitado: o tratamento deve ser indicado por médico ou odontólogo assistente habilitado.
  2. Ausência de negativa expressa da ANS ou de análise pendente: não pode existir negativa expressa da agência reguladora nem proposta de atualização do rol (PAR) pendente de avaliação.
  3. Inexistência de alternativa terapêutica adequada no rol: não deve haver outra opção de tratamento contemplada pela ANS que seja adequada à condição do paciente.
  4. Comprovação científica de eficácia e segurança: o tratamento deve apresentar respaldo na medicina baseada em evidências de alto grau ou em avaliação de tecnologia em saúde, com evidências científicas de alto nível, como ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas ou metanálises.
  5. Registro na Anvisa: o tratamento deve contar com registro sanitário na agência, quando aplicável.

A decisão também estabeleceu critérios para a análise judicial desses pedidos. O Judiciário deve verificar a existência de requerimento prévio à operadora e de negativa, demora irrazoável ou omissão na autorização. Também deve examinar o ato administrativo da ANS e avaliar os requisitos técnicos, recorrendo ao NATJUS ou a especialistas, quando disponíveis.

A ADI 7265 não determina a cobertura automática de qualquer tratamento fora do rol. A existência de um parecer técnico da ANS sobre determinada indicação também precisa ser considerada na análise, especialmente para verificar o requisito relativo à ausência de negativa expressa da agência.

Assim, quando o médico recomenda HIPEC para um tipo de tumor que não está entre as indicações reconhecidas pelo Parecer nº 38/2021, é necessário examinar se os requisitos estabelecidos pelo STF podem ser demonstrados naquela situação.

A análise não se limita à prescrição médica. Deve considerar a documentação clínica, as evidências científicas, a situação regulatória do procedimento e o fundamento apresentado pela operadora.


Quando o plano de saúde pode negar a HIPEC?

O plano de saúde pode apresentar uma negativa de cobertura, mas a legalidade da recusa depende das circunstâncias clínicas, assistenciais e contratuais.

O registro na Anvisa e a prescrição médica são elementos relevantes, mas não bastam para afirmar que qualquer utilização da cisplatina ou qualquer indicação de HIPEC está obrigatoriamente coberta.

O primeiro aspecto a examinar é a forma de administração do medicamento e o contexto em que ele será utilizado.

A ANS prevê cobertura para a quimioterapia oncológica ambulatorial, conforme os critérios da RN 465/2021. Já a administração de medicamentos durante uma internação hospitalar deve ser analisada em conjunto com o procedimento realizado, a indicação médica e a segmentação assistencial contratada.

Na HIPEC, a discussão não se limita ao fornecimento da cisplatina. Também precisam ser examinadas a cobertura da quimioterapia intraperitoneal hipertérmica, a cirurgia citorredutora e a internação necessária à realização do tratamento.

A cobertura da quimioterapia oncológica, contudo, não resolve todas as questões relacionadas à HIPEC.

Quando a indicação não está prevista nas hipóteses reconhecidas pela ANS, a ADI 7265 estabelece os critérios para avaliar a possibilidade de cobertura excepcional de procedimentos fora do rol.

Uma negativa de cobertura da cisplatina ou da HIPEC nem sempre é legítima, mas também não pode ser considerada abusiva automaticamente. A avaliação depende do conjunto formado pela indicação médica, pelo tipo de tumor, pelo procedimento associado, pelas evidências científicas, pelo contrato e pela justificativa apresentada pela operadora.


Negativa na HIPEC: três perguntas antes de agir

Uma negativa de cobertura fica mais fácil de analisar quando o paciente consegue identificar o que foi recusado, qual foi a justificativa da operadora e quais documentos demonstram a necessidade do tratamento.

1. O que foi negado?

Na HIPEC, a operadora pode recusar o fornecimento da cisplatina, a realização do procedimento, a cirurgia citorredutora ou o conjunto do tratamento.

Cada elemento possui regras próprias de cobertura. Por isso, é importante identificar exatamente qual item foi recusado e solicitar que a operadora esclareça o alcance da negativa.

2. Qual foi o motivo da negativa?

Peça a justificativa por escrito e guarde o número do protocolo de atendimento.

O documento permite identificar se a operadora fundamentou a recusa na ausência de previsão no rol da ANS, no tipo de tumor, na classificação do procedimento como experimental, na forma de administração ou em alguma disposição contratual.

Essa informação é importante para verificar se o fundamento apresentado corresponde às regras regulatórias e às circunstâncias clínicas do paciente.

3. O que comprova a necessidade do tratamento?

O relatório médico deve apresentar informações suficientes para demonstrar a indicação da HIPEC e a escolha do protocolo terapêutico.

Entre os elementos relevantes estão:

  • Diagnóstico e características do tumor;
  • Estadiamento e extensão da doença;
  • Histórico dos tratamentos realizados;
  • Finalidade da HIPEC;
  • Justificativa para a utilização da cisplatina;
  • Fundamentação científica e clínica da indicação;
  • Alternativas terapêuticas avaliadas;
  • Informações sobre a urgência, quando existente.

Com essas informações, reúna o relatório médico, a prescrição, os exames, o pedido de autorização, a resposta da operadora e os dados do contrato.

Se o plano mantiver a recusa, o beneficiário pode registrar uma reclamação na ANS, por meio da Notificação de Intermediação Preliminar (NIP), utilizando o protocolo da negativa.

Também é possível buscar orientação de um advogado especialista em Direito da Saúde para avaliar a fundamentação da recusa e as medidas administrativas ou judiciais eventualmente cabíveis.

A reclamação na ANS busca mediar o conflito, mas não garante o fornecimento do medicamento ou a realização do procedimento. Da mesma forma, o ajuizamento de uma ação não assegura antecipadamente uma decisão favorável. O resultado depende das circunstâncias clínicas, regulatórias, contratuais e jurídicas de cada situação.

Perguntas frequentes sobre a cobertura da cisplatina na HIPEC

O plano de saúde é obrigado a cobrir a HIPEC?

A ANS reconhece a cobertura obrigatória da HIPEC associada à cirurgia citorredutora para tumores mucinosos do apêndice cecal (pseudomixoma peritoneal) e mesotelioma peritoneal, conforme o Parecer Técnico nº 38/2021. Para outras indicações, é necessário examinar as regras regulatórias e os critérios de cobertura excepcional estabelecidos pelo STF.

A cisplatina na HIPEC é off-label?

Sim. A bula do Fauldcispla® não apresenta a HIPEC entre as indicações aprovadas. O uso off-label, entretanto, não significa automaticamente que o tratamento seja experimental ou que sua cobertura possa ser recusada. A análise depende da indicação médica, das evidências científicas e das regras regulatórias aplicáveis.

O plano de saúde cobre a quimioterapia com cisplatina?

A RN 465/2021 prevê cobertura da quimioterapia oncológica ambulatorial, incluindo medicamentos antineoplásicos que atendam aos critérios regulatórios. A cobertura da cisplatina utilizada na HIPEC, porém, precisa ser examinada conforme as regras específicas do procedimento.

A HIPEC está no rol da ANS?

A cobertura da HIPEC associada à cirurgia citorredutora é reconhecida pelo Parecer Técnico nº 38/2021 da ANS para tumores mucinosos do apêndice cecal e mesotelioma peritoneal. Para outras indicações, o parecer não reconhece cobertura obrigatória por essa via.

O plano pode negar a HIPEC para outros tumores?

Pode haver negativa com fundamento no Parecer Técnico nº 38/2021, que não reconhece cobertura obrigatória para as demais indicações sem recomendação expressa do CFM. Entretanto, a possibilidade de cobertura excepcional deve ser analisada à luz dos cinco requisitos estabelecidos pelo STF na ADI 7265, quando aplicáveis ao caso.

Quanto custa a cisplatina usada na HIPEC?

O preço de fábrica do Fauldcispla® 1 mg/mL é de R$ 77,85 para o frasco de 10 mL e R$ 364,31 para o de 50 mL, conforme os valores de referência da CMED utilizados neste artigo. O custo total da HIPEC também envolve hospital, materiais, equipamentos e outros medicamentos.

O que fazer se o plano de saúde negar a HIPEC?

Primeiro, identifique se a recusa envolve a cisplatina, o procedimento, a cirurgia ou o conjunto do tratamento. Solicite a justificativa por escrito, guarde o protocolo e reúna o relatório médico, a prescrição e os exames. Com esses documentos, é possível avaliar uma reclamação na ANS e as demais medidas cabíveis.

Posso reclamar na ANS se o plano negar a HIPEC?

Sim. O beneficiário pode registrar uma reclamação por meio da Notificação de Intermediação Preliminar (NIP), utilizando o protocolo da negativa. O procedimento busca mediar o conflito entre consumidor e operadora, mas não garante a autorização do tratamento.

Preciso de advogado para contestar a negativa da HIPEC?

Não é obrigatório ter advogado para registrar uma reclamação na ANS. Entretanto, um advogado especialista em Direito da Saúde pode analisar a justificativa da operadora, as regras de cobertura e a documentação médica para avaliar as medidas administrativas ou judiciais cabíveis, sem garantia de resultado.

Fale com um advogado especialista em planos de saúde Fale com um advogado especialista em planos de saúde

Cisplatina na HIPEC pelo plano de saúde: critérios de cobertura

A cisplatina (Fauldcispla®) integra diferentes protocolos de tratamento oncológico. Na HIPEC, porém, o medicamento é utilizado em um procedimento mais amplo, associado à cirurgia citorredutora, à internação e à estrutura hospitalar especializada.

Por isso, a discussão sobre cobertura não se resume ao fornecimento do quimioterápico.

Ter previsão de cobertura para a quimioterapia oncológica não significa que toda prescrição de cisplatina ou qualquer procedimento de HIPEC será custeado automaticamente. A indicação médica, o tipo de tumor, a forma de administração e as regras específicas da ANS precisam ser considerados.

Para tumores mucinosos do apêndice cecal e mesotelioma peritoneal, o Parecer Técnico nº 38/2021 reconhece a cobertura obrigatória da HIPEC associada à cirurgia citorredutora.

Para outras indicações, a análise pode envolver a classificação regulatória do procedimento e os critérios estabelecidos pelo STF na ADI 7265, desde que sejam aplicáveis à situação discutida.

Quando o plano de saúde apresenta uma negativa, identificar o que foi recusado e qual fundamento foi utilizado é um passo importante para avaliar a questão.

Cada paciente apresenta características clínicas próprias e pode ter condições contratuais diferentes. Por isso, a análise da cobertura precisa considerar os documentos médicos, as regras regulatórias e as circunstâncias específicas do caso, sem antecipar ou garantir um resultado administrativo ou judicial.

Escrito por:

Autor Elton Fernandes

Elton Fernandes, advogado especialista em Direito da Saúde, professor convidado de pós-graduação da USP, da USP de Ribeirão Preto, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, da Escola Paulista de Direito (EPD) e do Instituto Luiz Mário Moutinho, em Recife. É presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB de São Caetano do Sul e autor do livro "Manual de Direito da Saúde Suplementar: direito material e processual em ações contra planos de saúde".

Fique por dentro das atualizações!
Inscreva-se na nossa newsletter

Gostaria de receber nosso conteúdo?
Cadastra-se para receber.

Acompanhe o Dr. Elton Fernandes
especialista em ações contra planos de saúde, na imprensa:

Elton Fernandes na imprensa

Siga nossas redes sociais e saiba mais sobre Direito da Saúde:

  

VEJA
MAIS INFORMAÇÕES

PRECISA DE AJUDA?
ENTRE EM CONTATO CONOSCO

ELTON FERNANDES SOCIEDADE DE ADVOGADOS
22.692.544/0001-02

Seus dados estão protegidos e tratados com sigilo.