O plano de saúde pode ter obrigação de cobrir o durvalumabe (Imfinzi®), mas a análise exige atenção a uma particularidade importante: trata-se de um medicamento antineoplásico de uso intravenoso, administrado sob supervisão de profissionais de saúde.
A Resolução Normativa nº 465/2021 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabelece regras específicas para a quimioterapia oncológica ambulatorial, incluindo medicamentos antineoplásicos que precisam ser administrados sob intervenção ou supervisão direta de profissionais de saúde em estabelecimento assistencial. A regulamentação considera a natureza do tratamento, e não apenas a via de administração ou a classe farmacológica.
Por isso, a análise não deve partir apenas da constatação de que não há previsão explícita do durvalumabe no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde. É necessário verificar se o tratamento se enquadra nas regras de cobertura da quimioterapia oncológica ambulatorial e quais condições são aplicáveis à indicação prescrita.
Se houver discussão sobre tratamento não previsto no rol, também será necessário considerar a legislação pertinente e os critérios estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.265.
O durvalumabe tem indicação aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para diferentes tipos de câncer, incluindo o câncer do trato biliar, o câncer de pulmão e o carcinoma hepatocelular.
O custo do durvalumabe também merece atenção. Na lista de preços regulados da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) consultada em setembro de 2026, o preço de fábrica do Imfinzi® variava conforme a apresentação, chegando a R$ 14.086,11 para o frasco de 500 mg/10 mL, considerando a alíquota de ICMS de 0%. Esse valor é uma referência regulatória, não necessariamente o preço efetivamente praticado nem o custo total do tratamento.
Neste artigo, entenda para quais pacientes o durvalumabe pode ser indicado, como consultar sua situação no rol da ANS e quais providências podem ser avaliadas diante de uma negativa de cobertura.

O durvalumabe é um anticorpo monoclonal que atua sobre a proteína PD-L1, envolvida nos mecanismos que permitem que células tumorais escapem da resposta imunológica.
Ao bloquear essa interação, o medicamento pode favorecer a atuação do sistema imunológico contra o câncer. Ele pertence à classe dos imunoterápicos e pode ser utilizado isoladamente ou em combinação com outros medicamentos, conforme a indicação aprovada.
O tratamento é prescrito de acordo com o tipo de tumor, o estágio da doença, as características clínicas do paciente e a estratégia terapêutica definida pela equipe médica.
Conforme as indicações terapêuticas descritas na bula do durvalumabe, o medicamento pode ser utilizado em situações específicas relacionadas a diferentes tipos de câncer, entre elas:
A indicação aplicável depende da bula vigente, das características da doença e dos critérios específicos de cada esquema terapêutico.
A existência de registro sanitário para uma indicação não significa, isoladamente, que o plano de saúde seja obrigado a custear o medicamento em qualquer circunstância.
O Imfinzi® é uma solução injetável para infusão intravenosa. A administração ocorre sob supervisão de profissionais de saúde e, conforme a prescrição e as condições clínicas, em estabelecimento de saúde apropriado.
Essa característica é importante porque a RN 465/2021 da ANS define a quimioterapia oncológica ambulatorial como aquela baseada na administração de medicamentos para tratamento do câncer, incluindo medicamentos para controle de efeitos adversos e adjuvantes, que, independentemente da via de administração e da classe terapêutica, precisem ser administrados sob intervenção ou supervisão direta de profissionais de saúde dentro de estabelecimento de saúde.
A norma está no artigo 18, inciso IX, da RN 465/2021.
Assim, a análise da cobertura do durvalumabe não deve se limitar à pergunta sobre a existência de uma menção expressa ao nome do medicamento no rol da ANS. Também é necessário verificar se o tratamento prescrito se enquadra na regra regulatória aplicável à quimioterapia oncológica ambulatorial e quais condições de cobertura devem ser observadas.
Isso não significa que toda prescrição de durvalumabe tenha cobertura automática. O enquadramento deve ser examinado à luz da indicação utilizada, do esquema terapêutico, da prescrição médica, do contrato e das normas vigentes.
O durvalumabe ainda não foi incluído no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS.
O rol estabelece a cobertura mínima obrigatória aplicável aos planos de saúde, observadas a segmentação contratada, as diretrizes de utilização e as demais regras regulatórias pertinentes.
Entretanto, a ausência de previsão expressa de uma indicação não deve ser confundida automaticamente com a inexistência de qualquer possibilidade de cobertura. É necessário considerar as normas específicas aplicáveis ao tratamento oncológico e a forma como o medicamento é administrado.
A RN 465/2021 estabelece uma regra própria para a quimioterapia oncológica ambulatorial. Essa definição abrange medicamentos destinados ao tratamento do câncer que, conforme a prescrição médica, precisem ser administrados sob intervenção ou supervisão direta de profissionais de saúde em estabelecimento de saúde, independentemente da via de administração e da classe terapêutica.
Como o durvalumabe é um antineoplásico administrado por infusão intravenosa, essa regra deve ser considerada na análise da cobertura.
O ponto central é verificar se o tratamento prescrito atende aos requisitos regulatórios aplicáveis. A análise não deve se restringir à ausência de uma menção nominal ao medicamento ou à indicação no rol.
Por outro lado, a via intravenosa não basta para concluir que a operadora deve custear qualquer uso do medicamento. É necessário examinar as particularidades da prescrição e o enquadramento do tratamento nas regras vigentes.
O durvalumabe é um medicamento oncológico de alto custo. O valor depende da apresentação utilizada, e o custo total do tratamento pode variar conforme a indicação médica, a dose prescrita, o intervalo entre as infusões e a duração do esquema terapêutico.
Na lista de preços regulados da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), com referência a 24 de setembro de 2026, o Imfinzi® apresenta duas apresentações comerciais com os seguintes valores de referência, considerando a alíquota de ICMS de 0%:
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Apresentação do Imfinzi® |
Preço de fábrica (PF) |
Preço máximo de venda ao governo (PMVG) |
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120 mg/2,4 mL |
R$ 3.380,64 |
R$ 2.711,61 |
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500 mg/10 mL |
R$ 14.086,11 |
R$ 11.298,47 |
O preço de fábrica (PF) é o teto regulatório para a comercialização pelo fabricante ou distribuidor. Já o preço máximo de venda ao governo (PMVG) é um limite aplicável às situações previstas na regulamentação, com incidência do desconto obrigatório correspondente. O PMVG não deve ser interpretado como o preço que necessariamente será praticado em toda aquisição.
Esses valores também não representam o custo total do tratamento. Para estimá-lo, é necessário considerar a dose prescrita, a quantidade de medicamento necessária em cada administração e o número de infusões previsto no esquema terapêutico.
O custo elevado do medicamento ajuda a explicar a importância de verificar as regras de cobertura do plano de saúde. No caso do durvalumabe, essa análise deve considerar sua administração intravenosa, as normas da ANS aplicáveis à quimioterapia oncológica ambulatorial e, quando pertinente, os critérios estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal para tratamentos não previstos no rol.
A consulta aos preços regulados pode ser feita na página oficial da CMED, disponibilizada pela Anvisa. Como os valores podem ser atualizados, é recomendável conferir a lista vigente antes da publicação ou revisão deste conteúdo.
>> Saiba como funciona a cobertura de medicamentos de alto custo pelo plano de saúde

Quando há recomendação médica fundamentada na ciência, o plano de saúde pode ser obrigado a cobrir o tratamento com o durvalumabe.
O primeiro passo é avaliar se o tratamento prescrito se enquadra nas disposições da ANS para a quimioterapia oncológica ambulatorial. Essa análise deve considerar a indicação médica, a forma de administração e as condições regulatórias pertinentes.
Se a controvérsia envolver tratamento não previsto no rol, também será necessário examinar os critérios definidos pelo STF no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.265, em 18 de setembro de 2025.
O STF estabeleceu requisitos cumulativos para a cobertura de tratamentos não incluídos no rol da ANS. Entre eles estão:
Esses critérios devem ser examinados em conjunto, quando aplicáveis. O registro sanitário do durvalumabe e a aprovação de uma indicação terapêutica são elementos relevantes, mas não substituem a análise dos demais requisitos.
Também é importante observar que, em uma eventual ação judicial, o STF estabeleceu parâmetros específicos para a avaliação da negativa de cobertura, incluindo a necessidade de comprovar o pedido prévio à operadora e a recusa, demora irrazoável ou omissão quanto à solicitação.
Portanto, não é possível afirmar que o durvalumabe será necessariamente custeado em todos os casos. A análise depende das regras aplicáveis e dos documentos que demonstrem as condições clínicas e regulatórias do tratamento.
Um advogado especialista em planos de saúde pode avaliar a justificativa da negativa, verificar os fundamentos jurídicos pertinentes e orientar sobre as medidas administrativas ou judiciais cabíveis.
Diante de uma negativa de cobertura do plano de saúde, é importante reunir documentos que permitam compreender a justificativa da operadora e avaliar o que pode ser feito para obter o medicamento durvalumabe.
Algumas providências úteis são:
A documentação médica é especialmente relevante para demonstrar por que o tratamento foi indicado e quais elementos sustentam sua necessidade para aquele paciente.
Um advogado especialista em Direito da Saúde pode analisar a justificativa apresentada pelo plano, a prescrição médica, as regras regulatórias aplicáveis e os critérios definidos pelo STF para tratamentos não previstos no rol da ANS.
Essa avaliação pode ajudar a identificar quais fundamentos jurídicos são pertinentes e quais documentos são necessários para examinar as medidas cabíveis.
A possibilidade de obter a cobertura depende das particularidades do caso e da análise dos requisitos aplicáveis. Não é possível garantir previamente o resultado de uma solicitação administrativa ou de uma ação judicial.
O durvalumabe ainda não têm previsão expressa no rol da ANS. Ainda assim, a análise da cobertura deve considerar as regras específicas para quimioterapia oncológica ambulatorial e as demais normas aplicáveis.
A administração intravenosa é relevante para a análise, pois a RN 465/2021 prevê uma regra específica para medicamentos oncológicos que precisam ser administrados sob intervenção ou supervisão direta de profissionais de saúde em estabelecimento de saúde. Entretanto, a via de administração não garante cobertura automática. É necessário verificar o enquadramento do tratamento prescrito.
A ausência de previsão expressa no rol não deve ser analisada isoladamente. É necessário verificar se o tratamento se enquadra em alguma regra de cobertura obrigatória, incluindo as disposições sobre quimioterapia oncológica ambulatorial. Se a controvérsia envolver tratamento não previsto no rol, também devem ser considerados os critérios estabelecidos pelo STF na ADI 7.265.
Não. O registro sanitário demonstra que o medicamento foi autorizado pela Anvisa para as indicações aprovadas, mas não determina a obrigação de cobertura pelo plano. As regras da ANS, as condições do tratamento e, quando pertinentes, os critérios do STF também precisam ser examinados.
A possibilidade depende da análise da prescrição, da justificativa da negativa, das normas regulatórias aplicáveis e dos requisitos jurídicos e científicos pertinentes. A decisão do STF na ADI 7.265 estabelece critérios cumulativos para tratamentos não previstos no rol, quando aplicáveis, e parâmetros para a análise judicial dessas controvérsias.
A cobertura do durvalumabe pelos planos de saúde exige uma análise que vá além da consulta ao rol da ANS. Embora o medicamento não tenha previsão expressa no rol, a RN 465/2021 estabelece regras específicas para a quimioterapia oncológica ambulatorial, incluindo medicamentos antineoplásicos que precisam ser administrados sob intervenção ou supervisão direta de profissionais de saúde em estabelecimento de saúde.
Como o durvalumabe é administrado por infusão intravenosa, essa regra é relevante para a avaliação do tratamento prescrito. Ainda assim, a via de administração não garante, isoladamente, a cobertura em todos os casos.
Quando a controvérsia envolver a ausência do tratamento no rol, será necessário considerar também os critérios definidos pelo STF na ADI 7.265, além das circunstâncias clínicas, regulatórias e contratuais pertinentes.
A avaliação da negativa deve considerar a indicação aprovada, a prescrição médica, a documentação clínica, as normas vigentes e os fundamentos apresentados pela operadora. Um advogado especialista em planos de saúde pode analisar esses elementos e orientar sobre as medidas cabíveis para buscar a cobertura do tratamento, conforme as particularidades de cada caso.

Elton Fernandes, advogado especialista em Direito da Saúde, professor convidado de pós-graduação da USP, da USP de Ribeirão Preto, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, da Escola Paulista de Direito (EPD) e do Instituto Luiz Mário Moutinho, em Recife. É presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB de São Caetano do Sul e autor do livro "Manual de Direito da Saúde Suplementar: direito material e processual em ações contra planos de saúde".
ELTON FERNANDES SOCIEDADE DE ADVOGADOS
22.692.544/0001-02