Congelamento de óvulos pelo plano de saúde: quando é um direito?
Data de publicação: 23/10/2025
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Entenda quando o plano de saúde pode cobrir o congelamento de óvulos, como funciona o procedimento, custos, e quais situações podem justificar cobertura judicial

O congelamento de óvulos é uma técnica moderna que permite às mulheres preservar a fertilidade para o futuro.

Seja por motivos pessoais ou de saúde, essa opção tem ganhado cada vez mais espaço - e com ela, surgem dúvidas importantes: o plano de saúde cobre congelamento de óvulos? Em quais situações o procedimento pode ser realizado? E como funciona o processo?

Neste artigo, você vai entender quando o plano de saúde pode ser obrigado a cobrir o congelamento de óvulos, como o procedimento é feito, qual o valor para congelar óvulos e quais decisões judiciais já foram tomadas sobre o tema.

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O que é e como funciona o congelamento de óvulos?

O congelamento de óvulos é um procedimento médico utilizado para preservar a fertilidade feminina.

Por meio dessa técnica, é possível coletar os óvulos da mulher e armazená-los em temperaturas extremamente baixas, possibilitando seu uso em uma futura tentativa de gravidez.

Essa alternativa é indicada tanto para quem deseja adiar a maternidade por motivos pessoais quanto para pacientes que enfrentam condições de saúde que podem comprometer a fertilidade, como câncer ou endometriose.

Na prática, o processo começa com uma avaliação médica completa, na qual a paciente realiza exames para verificar seu estado de saúde geral e, especialmente, a reserva ovariana - que indica a quantidade e a qualidade dos óvulos disponíveis nos ovários. Com base nesses resultados, é feito o planejamento do tratamento.

Em seguida, inicia-se a fase de estimulação ovariana. Durante cerca de 10 a 12 dias, a paciente utiliza hormônios injetáveis, conhecidos como gonadotrofinas, para estimular os ovários a produzirem múltiplos folículos - estruturas que contêm os óvulos.

As injeções são aplicadas de forma subcutânea e, geralmente, podem ser feitas pela própria paciente em casa, com pouco desconforto.

Quando os folículos atingem o tamanho ideal, os óvulos são coletados por meio de uma punção vaginal, guiada por ultrassom. O procedimento é rápido, dura em média 20 minutos e é realizado com sedação leve para garantir conforto à paciente.

Após a coleta, os óvulos são analisados em laboratório e apenas os maduros são congelados.

O congelamento é feito por uma técnica chamada vitrificação, que evita a formação de cristais de gelo e garante maior taxa de sobrevivência após o descongelamento.

Os óvulos são, então, armazenados em tanques de nitrogênio líquido a -196 °C. Eles podem permanecer congelados por tempo indeterminado, sem prejuízos significativos à sua qualidade.

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Como engravidar com óvulos congelados?

Quando a mulher decide que chegou o momento de engravidar, os óvulos congelados são descongelados gradualmente em laboratório.

Após o descongelamento, é feita uma avaliação cuidadosa para verificar a viabilidade de cada óvulo, ou seja, sua capacidade de ser fertilizado com sucesso.

A próxima etapa é a fertilização in vitro (FIV), na qual os óvulos viáveis são fertilizados com espermatozoides em laboratório, dando origem aos embriões.

Esses embriões podem passar por testes genéticos (como o diagnóstico genético pré-implantacional, PGD) antes de serem transferidos para o útero da paciente.

As chances de gravidez com óvulos congelados variam conforme a idade da mulher no momento do congelamento.

Mulheres que realizam o procedimento antes dos 35 anos tendem a ter melhores resultados, com taxas de sucesso que podem variar de 30% a 80%. A taxa de sobrevivência dos óvulos após o descongelamento também é alta, ficando entre 85% e 95%.

Quanto custa congelar óvulos?

Uma dúvida bastante comum é: congelar óvulos, quanto custa?

O valor para congelar óvulos pode variar bastante, dependendo da clínica escolhida, da localização, da quantidade de hormônios necessária e das características de cada paciente. 

Em média, o preço de um ciclo completo - que inclui a estimulação ovariana, coleta, vitrificação e congelamento dos óvulos - fica entre R$ 10 mil e R$ 30 mil.

Além disso, há o custo da manutenção anual dos óvulos congelados, que gira em torno de R$ 1 mil a R$ 1.500 por ano.

Quando a paciente decide utilizar os óvulos, há ainda o valor da fertilização in vitro, que pode adicionar mais R$ 10 mil a R$ 15 mil ao processo.

É importante destacar que, em alguns casos com indicação médica, como tratamentos contra o câncer ou endometriose, o plano de saúde pode ser obrigado a custear o congelamento de óvulos, mesmo que a fertilização in vitro em si não tenha cobertura obrigatória.

Nessas situações, é recomendável que a paciente busque orientação jurídica especializada para compreender melhor seus direitos e as possibilidades de cobertura do procedimento.

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Congelamento de óvulos: plano de saúde cobre?

A dúvida se plano de saúde cobre o congelamento de óvulos é comum - e a resposta depende do motivo que levou à indicação do procedimento.

A fertilização in vitro não tem cobertura obrigatória pelos planos, conforme a legislação e o entendimento atual da Justiça.

Porém, o congelamento de óvulos pode ser coberto pelo plano de saúde em situações específicas.

Quando o plano de saúde cobre o congelamento de óvulos?

A Justiça tem reconhecido o direito à cobertura do congelamento de óvulos quando ele é necessário para preservar a fertilidade antes de tratamentos médicos que podem causar infertilidade - como quimioterapia ou radioterapia, por exemplo.

Nesses casos, o congelamento é considerado uma forma de tratamento complementar, essencial à saúde da paciente.

Plano de saúde cobre congelamento de óvulos em casos de endometriose?

Sim, o plano de saúde pode cobrir o congelamento de óvulos para pacientes com endometriose, mas apenas em alguns casos específicos.

Isto porque a endometriose pode prejudicar a fertilidade, e o congelamento de óvulos pode ser recomendado como medida preventiva.

A Justiça já decidiu, em várias ações, que o plano de saúde deve cobrir o procedimento quando há justificativa médica.

As decisões judiciais consideram que o procedimento é uma forma de garantir o direito ao planejamento familiar, previsto na Constituição.

E quanto aos homens: é possível obter a cobertura do congelamento de espermatozóides?

A regra também vale para os homens.

Se o paciente vai passar por tratamentos que possam causar infertilidade, como quimioterapia, o plano de saúde pode ser obrigado a cobrir o congelamento de espermatozoides, desde que haja prescrição médica e risco comprovado à fertilidade.

O que fazer se o plano de saúde negar o pedido?

Se o plano de saúde se recusar a cobrir o congelamento de óvulos mesmo com indicação médica, é recomendável:

  1. Solicitar a negativa por escrito;
  2. Guardar todos os documentos médicos que comprovem a necessidade do procedimento;
  3. Avaliar a possibilidade de buscar orientação jurídica especializada para entender os caminhos legais disponíveis.

A Justiça tem reiterado que a preservação da fertilidade é um direito, especialmente quando a saúde da paciente está em risco.

Como é a ação judicial para autorizar congelamento de óvulos pelo plano de saúde?

A ação judicial para autorizar o congelamento de óvulos pelo plano de saúde, geralmente, ocorre quando o plano nega a cobertura, apesar da indicação médica, como prevenção da infertilidade em casos de tratamento oncológico ou endometriose. 

Nesse contexto, a petição inicial deve detalhar a necessidade do procedimento, argumentando que o congelamento de óvulos é uma medida preventiva essencial, distinta da fertilização assistida.

Em casos urgentes, como antes de iniciar um tratamento oncológico, é possível solicitar uma liminar para que o procedimento seja realizado imediatamente, sem aguardar o julgamento final da ação.

Assim, a ação judicial pode ser um caminho para buscar a cobertura do congelamento de óvulos quando o plano de saúde se recusa a autorizar o procedimento, sempre respeitando a análise individual de cada caso.

Esse tipo de ação é uma causa ganha?

Nunca se pode afirmar que se trata de “causa ganha”. Quem quer que afirme isso não tem a menor ideia da seriedade do trabalho que isso envolve.

E, para saber as reais possibilidades de sucesso de sua ação, é recomendável conversar com um advogado especialista em Direito à Saúde para avaliar todas as particularidades do seu caso. Há diversas variáveis que podem influir no resultado da ação, por isso, é necessário uma análise profissional e cuidadosa.

O fato de existirem decisões favoráveis em ações semelhantes mostra que há precedentes, mas apenas a análise concreta do seu caso por um advogado pode revelar as chances de seu processo.

O congelamento de óvulos pelo plano de saúde ainda é um direito pouco conhecido, mas possível em muitos casos. Mulheres com diagnóstico de endometriose, câncer ou que precisam passar por tratamentos que afetam a fertilidade podem ter direito ao procedimento - mesmo que ele não esteja listado no rol da ANS.

Em situações de negativa de cobertura, é recomendável procurar orientação jurídica especializada para compreender os direitos e os procedimentos possíveis de acordo com a legislação.

Escrito por:

Autor Elton Fernandes

Elton Fernandes, advogado especialista em Direito da Saúde, professor de pós-graduação em Direito Médico e Hospitalar da USP de Ribeirão Preto, da Escola Paulista de Direito (EPD) e do Instituto Luiz Mário Moutinho, em Recife, professor do Curso de Especialização em Medicina Legal e Perícia Médica da Faculdade de Medicina da USP, presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB de São Caetano do Sul e autor do livro "Manual de Direito da Saúde Suplementar: direito material e processual em ações contra planos de saúde".

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