Conteúdo atualizado em: 27 de outubro de 2026

Sim, o adalimumabe é padronizado pelo Ministério da Saúde e distribuído gratuitamente pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF), o programa do SUS responsável pelos medicamentos de alto custo. A dispensação acontece nas Farmácias de Alto Custo das Secretarias Estaduais de Saúde, mediante processo administrativo aberto pelo próprio paciente.
O plano de saúde também é obrigado a cobrir o adalimumabe nas oito doenças em que o rol da ANS prevê a terapia imunobiológica, entre elas artrite reumatoide, psoríase, doença de Crohn, hidradenite supurativa e uveíte não infecciosa. A retocolite ulcerativa é a exceção: está na bula, mas não tem cobertura obrigatória nem no SUS nem no rol.
Fora dessas vias, o preço máximo de uma caixa com duas doses de 40 mg vai de R$ 4.439,59 a R$ 16.300,30, conforme a marca, na lista da CMED publicada em 9 de outubro de 2026. O adalimumabe é um imunobiológico que bloqueia o TNF-alfa e é aplicado por injeção subcutânea, em geral a cada 14 dias.
O acesso não é automático. Cada doença tem um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) próprio, publicado pelo Ministério da Saúde, que define os critérios de inclusão no tratamento. O paciente precisa ter uma das indicações padronizadas, cumprir esses critérios e apresentar a documentação exigida, em especial o LME (Laudo de Solicitação, Avaliação e Autorização de Medicamentos), preenchido pelo médico especialista.
Quando o pedido é indeferido, quando a indicação clínica não está no PCDT ou quando o fornecimento atrasa além do razoável, existem caminhos administrativos e, esgotados eles, a via judicial. O texto trata primeiro do preço e do SUS, depois do plano de saúde, e termina com o que é o medicamento, para que serve e como se aplica.
Uma caixa com duas doses de 40 mg do Humira, o medicamento de referência, tem Preço Máximo ao Consumidor de R$ 16.300,30, com ICMS de 18%, na lista da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) publicada pela Anvisa em 9 de outubro de 2026. As outras marcas com venda informada em 2025 têm teto entre R$ 4.439,59 e R$ 16.300,30.
|
Produto (empresa) |
Apresentação |
Preço Fábrica sem ICMS |
Preço Máximo ao Consumidor (ICMS 18%) |
|
Humira (AbbVie), referência |
40 mg, caixa com 2 seringas ou canetas |
R$ 9.696,96 |
R$ 16.300,30 |
|
Hyrimoz (Sandoz) |
40 mg, caixa com 2 seringas ou canetas |
R$ 9.696,96 |
R$ 16.300,30 |
|
Xilbrilada (Pfizer) |
40 mg, caixa com 2 seringas |
R$ 9.696,96 |
R$ 16.300,30 |
|
Adalimumabe Instituto Butantan |
40 mg, caixa com 2 seringas |
R$ 9.696,95 |
R$ 16.300,29 |
|
Idacio (Fresenius Kabi) |
40 mg, caixa com 2 seringas ou canetas |
R$ 3.390,93 |
R$ 5.700,05 |
|
Amgevita (Amgen) |
40 mg, caixa com 2 canetas |
R$ 2.842,17 |
R$ 4.777,60 |
|
Hadlima (Samsung Bioepis) |
40 mg, caixa com 2 seringas e caneta |
R$ 2.641,09 |
R$ 4.439,59 |
Fonte: lista de preços da CMED/Anvisa de 9 de outubro de 2026. O teto muda conforme a alíquota de ICMS de cada estado. Hulio, Yuflyma, Atenfe e Bio-Manguinhos Adalimumabe também constam da lista, sem comercialização informada em 2025.
No esquema de manutenção mais comum, de 40 mg a cada 14 dias, o tratamento usa cerca de 13 caixas por ano, o que corresponde a algo entre R$ 57,7 mil e R$ 211,9 mil pelo teto da CMED. Na doença de Crohn e na hidradenite supurativa o início usa doses maiores, e na hidradenite a manutenção é semanal, segundo o Guia Farmacêutico do Hospital Sírio-Libanês.
Por esse custo, o paciente raramente paga o medicamento do próprio bolso: no SUS ele é gratuito para quem cumpre o PCDT, e no plano de saúde a operadora custeia nas indicações da diretriz da ANS, tratadas mais adiante.
O SUS fornece o adalimumabe para um conjunto definido de doenças autoimunes e inflamatórias, cada uma com Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) próprio. O primeiro passo, antes de qualquer documento, é verificar se o seu diagnóstico está entre as indicações padronizadas e se o seu caso cumpre os critérios de inclusão daquele protocolo.
A lista corresponde aos oito PCDT citados na Nota Técnica nº 006/2026 da Secretaria de Saúde do Espírito Santo, que trata do fornecimento do medicamento pelo Ministério da Saúde.
A retocolite ulcerativa não está entre as indicações do SUS. A Conitec avaliou o adalimumabe para essa doença e a Portaria SCTIE/MS nº 49, de 22 de outubro de 2019, não o incorporou, decisão mantida no PCDT de retocolite ulcerativa de 2024. Para essa doença, o protocolo prevê outros medicamentos, como o infliximabe.
A prescrição de adalimumabe para uma indicação que não consta do PCDT, situação conhecida como uso fora do protocolo, ou off-label quando também está fora da bula, torna o fornecimento excepcional e muda o caminho. Nesse cenário, a via administrativa comum tende a resultar em indeferimento por critério técnico, e a discussão passa para outro terreno, tratado adiante no bloco sobre indicação fora do PCDT.
O mesmo vale para os outros medicamentos de alto custo pelo SUS: a padronização é feita por doença, e o mesmo fármaco pode estar disponível para uma condição e indisponível para outra.
O adalimumabe está no Grupo 1A do CEAF: o Ministério da Saúde financia, compra de forma centralizada e distribui aos estados, que armazenam e entregam ao paciente. Por isso a marca recebida na farmácia depende do contrato federal vigente, e não da escolha do paciente ou do estado.
Segundo a Nota Técnica nº 006/2026 da Secretaria de Saúde do Espírito Santo, que reproduz a orientação do Ministério da Saúde, a oferta vem de três fontes:
A mesma nota define quem passa ao biossimilar da Pfizer por substituição automática: pacientes novos e pacientes estáveis há pelo menos 12 meses com o biossimilar de Bio-Manguinhos. As regras de troca entre biossimilares no plano de saúde seguem outra lógica, explicada na página sobre troca de medicamento biossimilar.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece acesso gratuito a medicamentos para a população brasileira, inclusive medicamentos de alto custo. Todavia, para obter um medicamento desse tipo, o paciente deve seguir alguns passos. As etapas abaixo seguem a ordem do processo no CEAF, que é a mesma descrita no roteiro geral de como conseguir remédio pelo SUS.
Um LME pode pedir até seis meses de tratamento, e a renovação é feita no sexto mês, regra da Portaria GM/MS nº 13/2020, conforme a orientação da Secretaria de Saúde do Paraná aos prescritores. A renovação exige nova avaliação clínica, exames atualizados quando o protocolo pedir e o preenchimento de um novo laudo pelo médico. Nada disso é automático.
Na prática, o laudo vencido interrompe tratamentos que já estavam autorizados. Anote a data de validade do seu LME e comece a providenciar a renovação com pelo menos 30 dias de antecedência.

Antes de decidir o que fazer, é preciso saber por que o pedido travou. As causas são diferentes e cada uma tem um caminho próprio. Tratar todas como "negativa do SUS" costuma levar o paciente a insistir no lugar errado.
Há duas situações completamente diferentes, e confundi-las custa tempo ao paciente. Na primeira, o adalimumabe está padronizado para a doença e o pedido é uma questão de documentação. Na segunda, o médico prescreve o adalimumabe para uma indicação que o PCDT não prevê, ou em uma fase da doença que o protocolo não contempla.
Desde setembro de 2024, a regra geral fixada pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 6 é que o medicamento não incorporado às listas do SUS não pode ser fornecido por decisão judicial, independentemente do custo. A exceção exige seis requisitos cumulativos, e cabe ao paciente prová-los:
A tese foi convertida na Súmula Vinculante 61, e o juiz deve, sempre que possível, consultar o NatJus ou especialistas antes de decidir, sem se apoiar só na prescrição juntada pelo paciente, segundo o resumo do julgamento publicado pelo STF. Por isso o relatório médico precisa enfrentar cada requisito, e não apenas indicar o remédio.
Antes do Tema 6, a referência era o Tema 106 do STJ, em que o Superior Tribunal de Justiça fixou, no Tema 106 (REsp 1.657.156), os requisitos cumulativos que o pedido precisava demonstrar:
Esses três requisitos continuam presentes na tese do STF, que acrescentou os demais.
Também é relevante o Tema 793 do STF (RE 855.178), que fixou a responsabilidade solidária de União, estados e municípios nas demandas de fornecimento de medicamentos. Em setembro de 2024, o STF detalhou a regra no Tema 1234 e na Súmula Vinculante 60: o processo segue a divisão de responsabilidades do SUS, e os pedidos de medicamento não incorporado com custo anual igual ou superior a 210 salários mínimos tramitam na Justiça Federal.
A tese aplicável depende, portanto, do enquadramento do caso: para o paciente que cumpre o PCDT e apenas não recebe o medicamento, a discussão é de descumprimento de um dever administrativo já estabelecido; para o paciente cuja indicação está fora do protocolo, a discussão passa pelos requisitos do Tema 6 do STF.
Na retocolite ulcerativa, o segundo requisito pesa mais: como a Conitec avaliou o adalimumabe e recomendou a não incorporação, o pedido precisa demonstrar a ilegalidade desse ato, e não apenas a falta de alternativa.
O pedido de tutela de urgência, popularmente chamado de liminar, é analisado com base em dois elementos previstos no art. 300 do Código de Processo Civil: a probabilidade do direito, demonstrada pela documentação médica e administrativa reunida, e o perigo de dano, demonstrado pelo risco de agravamento do quadro durante a espera. A decisão sobre conceder ou não a medida é exclusiva do juiz, que avalia cada caso a partir das provas apresentadas.
Não existe prazo padrão nem resultado previsível: a análise depende da urgência documentada, do conjunto probatório e do juízo competente. O que está sob controle do paciente é a qualidade da documentação que começa a ser construída no primeiro comparecimento à Farmácia de Alto Custo.
O que acontece depois da decisão, com os prazos de cumprimento, está detalhado na explicação sobre o que é liminar e o que acontece depois da análise.
Em situações de negativa ou demora injustificada no fornecimento de medicamentos como o adalimumabe, podem existir medidas administrativas e judiciais a serem avaliadas.
Quando há recusa formal ou ausência de resposta dentro do prazo, o caso pode ser levado ao Judiciário.
Para o adalimumabe nas oito doenças do PCDT, a ação discute o cumprimento de um dever que o SUS já assumiu, e a prova central é o processo administrativo: protocolo, LME, indeferimento ou registro da falta em estoque. Para a indicação fora do PCDT, valem os requisitos do Tema 6. A competência e quem figura no processo seguem o Tema 1234, e as etapas e os documentos de uma ação judicial contra o SUS estão reunidos em página própria.

Sim. O rol da ANS inclui a terapia imunobiológica subcutânea com diretriz de utilização, e o adalimumabe tem cobertura obrigatória em oito doenças, nos critérios da Diretriz de Utilização nº 65 do Anexo II da RN nº 465/2021, na versão atualizada até a RN nº 681/2026. A cobertura vale para planos com segmentação ambulatorial ou hospitalar e para o plano-referência.
Ter direito ao fornecimento pelo SUS não impede o paciente que possui plano de saúde de pedir a cobertura à operadora.
Pelo SUS, o acesso é gratuito e passa pelo enquadramento no PCDT, com toda a documentação descrita acima. Pelo plano de saúde, o pedido é feito diretamente à operadora e a análise segue a Lei 9.656/1998 e o rol de procedimentos da ANS. A operadora deve garantir o atendimento em até 21 dias úteis, prazo da RN nº 566/2022 para procedimentos de alta complexidade, categoria em que o rol classifica a terapia imunobiológica, como reafirmou a ANS em julho de 2025.
A Súmula 102 do Tribunal de Justiça de São Paulo, que considerava abusiva a negativa baseada na ausência do tratamento no rol, foi revogada em 10 de setembro de 2025 e deixou de servir de fundamento. No Superior Tribunal de Justiça, o Tema 990 fixou que a operadora não é obrigada a fornecer medicamento sem registro na Anvisa, o que não alcança o adalimumabe, que é registrado no país.
A Diretriz de Utilização nº 65 tem um item por doença. Em parte deles a diretriz nomeia o adalimumabe; nos outros, fixa só o critério clínico para a terapia imunobiológica, e a cobertura alcança o medicamento registrado para aquela indicação:
A regra de cobertura dos imunobiológicos, inclusive as negativas por "uso domiciliar", está detalhada na página sobre medicamento imunobiológico pelo plano de saúde.
A retocolite ulcerativa está na bula do adalimumabe, mas não tem cobertura obrigatória nem pelo SUS nem pelo rol da ANS. No rol, a diretriz 65.7 nomeia golimumabe, infliximabe e vedolizumabe como primeira opção biológica e, após falha de anti-TNF, ustequinumabe, vedolizumabe, guselcumabe e risanquizumabe. No SUS, o adalimumabe não foi incorporado para a doença em 2019.
Nesse caso o pedido ao plano de saúde é de cobertura fora do rol, sujeito aos cinco critérios do STF descritos a seguir, e o pedido ao SUS segue os seis requisitos do Tema 6. O infliximabe, outro anti-TNF, tem cobertura prevista nos dois sistemas para a retocolite.
Em 18 de setembro de 2025, ao julgar a ADI 7.265, o STF fixou cinco critérios cumulativos para que o plano de saúde seja obrigado a custear tratamento que não consta do rol da ANS, segundo o comunicado oficial do STF:
O regime aplicável depende da data da negativa:
|
Data da negativa |
Regime |
|
Até 20/09/2022 |
Interpretação anterior à Lei 14.454/2022 |
|
De 21/09/2022 a 17/09/2025 |
Lei 14.454/2022, com critérios alternativos |
|
A partir de 18/09/2025 |
ADI 7.265, com os cinco critérios cumulativos |
No adalimumabe, o critério que mais pesa fora do rol é o terceiro: na retocolite, a diretriz 65.7 já oferece outros biológicos, e o relatório médico precisa explicar por que eles não atendem o caso. O debate sobre o rol da ANS como referência mínima é o pano de fundo dessa análise.
|
Doença |
SUS (CEAF, conforme PCDT) |
Plano de saúde (DUT 65 da ANS) |
|
Artrite reumatoide |
Sim |
Sim, item 65.1 |
|
Artrite idiopática juvenil |
Sim |
Sim, item 65.2 |
|
Espondilite anquilosante / espondiloartrite axial |
Sim |
Sim, item 65.3 |
|
Artrite psoriásica |
Sim |
Sim, item 65.4 |
|
Psoríase em placas |
Sim |
Sim, item 65.5 (adalimumabe nominado) |
|
Doença de Crohn |
Sim |
Sim, item 65.6 |
|
Hidradenite supurativa |
Sim |
Sim, item 65.8 (adultos) |
|
Uveíte não infecciosa |
Sim |
Sim, item 65.12 (adultos; crianças a partir de 2 anos desde 01/10/2026) |
|
Retocolite ulcerativa |
Não incorporado (Portaria SCTIE/MS nº 49/2019) |
Não consta da diretriz 65.7 |
Os dois caminhos não se excluem. Pelo SUS, o medicamento é gratuito e a marca depende da compra federal; pelo plano, o custeio é da operadora, dentro do prazo da ANS.
De forma resumida, o adalimumabe é um imunobiológico que bloqueia o TNF-alfa, uma citocina envolvida em doenças autoimunes.
Ele também é comercializado com outros nomes como Humira, Amgevita, Hyrimoz, Idacio, Xilbrilada, entre outros.
Na lista da CMED de outubro de 2026 constam ainda Hadlima, Hulio, Yuflyma, Atenfe e as versões do Instituto Butantan e de Bio-Manguinhos. O Humira é o medicamento de referência; os demais nomes são de outros fabricantes do mesmo princípio ativo, registrados na Anvisa.
Segundo a bula, o adalimumabe é indicado para o tratamento das seguintes doenças:
A indicação em bula, sozinha, não define a cobertura: a retocolite, por exemplo, está na bula e fora do SUS e do rol. As faixas etárias de cada indicação estão na bula publicada pela Anvisa, consultável na página de bulas e rótulos da agência.
Ao bloquear o TNF-alfa, o adalimumabe reduz a inflamação que a doença mantém ativa nas articulações, no intestino, na pele ou nos olhos. O mecanismo é o mesmo em todas as indicações; o que muda é o esquema de doses.
De modo geral, o adalimumabe não deve ser usado por pessoas que:
Antes do início, a orientação é pesquisar tuberculose latente e hepatite B, porque o medicamento reduz a defesa contra infecções, segundo o Guia Farmacêutico do Hospital Sírio-Libanês.
As reações mais frequentes nos estudos são infecções de vias aéreas superiores (17%), cefaleia (12%), alterações no hemograma, como leucopenia e anemia (12%), sinusite (11%), rash cutâneo (6 a 12%) e reação no local da injeção (8%), com vermelhidão, coceira, dor ou inchaço, segundo o Guia Farmacêutico do Hospital Sírio-Libanês. Também são descritas reações gastrointestinais, como:
Você pode realizar a autoaplicação, mas antes de aplicar o adalimumabe, leia as instruções da bula e receba treinamento de um profissional de saúde (médico ou enfermeiro). Use uma seringa nova para cada aplicação e alterne os locais de injeção a cada vez.
A aplicação é subcutânea, na coxa ou no abdômen. Na artrite reumatoide, na artrite psoriásica e na espondiloartrite axial, a dose usual é de 40 mg a cada 14 dias; na doença de Crohn e na hidradenite supurativa, o tratamento começa com 160 mg e depois 80 mg antes da dose de manutenção, segundo o Guia Farmacêutico do Hospital Sírio-Libanês. A dose de cada paciente é a da prescrição médica.
O adalimumabe é um medicamento utilizado no tratamento de diferentes doenças e, por ter custo elevado, muitas pessoas tentam obtê-lo pelo SUS. No entanto, o acesso nem sempre ocorre de forma automática, especialmente quando há necessidade de avaliação técnica ou quando o fornecimento é negado.
O SUS fornece o adalimumabe em oito doenças, conforme o PCDT, e o plano de saúde é obrigado a cobri-lo nas mesmas oito, conforme a diretriz 65 da ANS. A retocolite ulcerativa fica fora dos dois. Sem cobertura, o teto da CMED para duas doses de 40 mg vai de R$ 4.439,59 a R$ 16.300,30.
Fora dessas indicações, o acesso é excepcional nos dois sistemas: no SUS, pelos seis requisitos do Tema 6 do STF; no plano, pelos cinco critérios da ADI 7.265.
O fornecimento de adalimumabe pelo SUS depende da avaliação clínica do paciente e dos critérios técnicos dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, aplicados pelas Secretarias Estaduais de Saúde.
Em muitos casos, o medicamento pode ser solicitado pelo componente especializado da assistência farmacêutica, desde que haja relatório médico detalhado e justificativa terapêutica.
Quando o medicamento não está padronizado ou quando há negativa, podem ser avaliadas medidas administrativas ou judiciais. Para doença fora do PCDT, como a retocolite ulcerativa, a via judicial é excepcional desde o Tema 6 do STF.
Após o envio do relatório médico e do formulário padronizado, o prazo de análise é definido por cada Secretaria Estadual de Saúde, e o número do protocolo prova a data do pedido. Se o fornecimento for aprovado, o paciente é informado sobre o local e a data de retirada. Em situações de urgência ou demora excessiva, outras medidas podem ser avaliadas conforme o caso.
Nem sempre. Muitos pacientes conseguem o medicamento diretamente pela via administrativa do SUS, desde que cumpram os critérios exigidos.
No entanto, quando há negativa formal, ausência de resposta dentro do prazo ou risco de agravamento do quadro clínico, o caso pode ser levado ao Judiciário. Nesses cenários, o juiz analisa a documentação médica, a urgência e as normas sobre o direito à saúde.
Os principais documentos normalmente exigidos são:
relatório clínico detalhado, com diagnóstico, evolução do caso, justificativa terapêutica e tratamentos anteriores;
formulário específico da Secretaria Estadual de Saúde, preenchido pelo médico; no CEAF, esse formulário é o LME;
exames e laudos que comprovem a necessidade do medicamento;
prescrição médica, que pode ser emitida tanto por profissional da rede pública quanto particular;
dados do paciente, como nome, idade e contato;
Esses documentos ajudam a demonstrar a indicação do adalimumabe e permitem que o pedido seja analisado tecnicamente pela Secretaria de Saúde.
Na lista da CMED de 9 de outubro de 2026, o preço máximo de uma caixa com duas doses de 40 mg é de R$ 16.300,30 para o Humira e vai de R$ 4.439,59 a R$ 16.300,30 entre os biossimilares com venda informada, com ICMS de 18%.
Sim, nas oito doenças da Diretriz de Utilização nº 65 do rol da ANS, quando o paciente cumpre o critério clínico de cada item: artrite reumatoide, artrite idiopática juvenil, espondiloartrite axial, artrite psoriásica, psoríase, doença de Crohn, hidradenite supurativa e uveíte não infecciosa. Fora delas, valem os cinco critérios da ADI 7.265.
O Humira é o medicamento de referência. O biossimilar é um medicamento biológico com o mesmo princípio ativo, aprovado pela Anvisa por comparação com o de referência. No SUS, o adalimumabe entregue hoje vem do Instituto Butantan, de Bio-Manguinhos e da Pfizer, e os de Bio-Manguinhos e da Pfizer são biossimilares.
Não há cobertura obrigatória. A indicação está na bula, mas o SUS não incorporou o adalimumabe para retocolite e a diretriz 65.7 da ANS prevê outros biológicos. O pedido segue as regras de medicamento fora da lista: Tema 6 do STF no SUS e ADI 7.265 no plano de saúde.

Elton Fernandes, advogado especialista em Direito da Saúde, professor convidado de pós-graduação da USP, da USP de Ribeirão Preto, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, da Escola Paulista de Direito (EPD) e do Instituto Luiz Mário Moutinho, em Recife. É presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB de São Caetano do Sul e autor do livro "Manual de Direito da Saúde Suplementar: direito material e processual em ações contra planos de saúde".
ELTON FERNANDES SOCIEDADE DE ADVOGADOS
22.692.544/0001-02