Empaveli (pegcetacoplana): plano de saúde cobre o medicamento?

Empaveli (pegcetacoplana): plano de saúde cobre o medicamento?

Data de publicação: 21/01/2026
Empaveli é indicado para tratar doença renal rara - Foto: Life Style Memory/Freepik

Entenda para que serve o Empaveli (pegcetacoplana), seu preço e como a lei trata a cobertura do medicamento pelos planos de saúde

O Empaveli (pegcetacoplana) é um medicamento biotecnológico inovador, já registrado no Brasil. Ele é indicado para o tratamento de doenças raras e graves, como a Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN).

Mais recentemente, também passou a ser utilizado no tratamento da Glomerulonefrite Membranoproliferativa Imunocomplexo Primária (GNMP-CI Primária). Trata-se de uma doença renal rara, de evolução progressiva, que pode causar perda significativa da função dos rins e levar à insuficiência renal.

Do ponto de vista médico, trata-se de um avanço relevante no manejo dessas doenças, especialmente em situações nas quais as opções terapêuticas disponíveis são limitadas. 

Ainda assim, na prática, o acesso ao Empaveli pode encontrar obstáculos, sobretudo em razão do seu elevado custo e das regras adotadas pelas operadoras de planos de saúde para autorizar o fornecimento de medicamentos de alta complexidade.

Diante desse contexto, compreender para que serve o Empaveli (pegcetacoplana) e como a legislação brasileira disciplina a cobertura de medicamentos pelos planos de saúde é essencial para que pacientes e familiares possam se informar adequadamente sobre seus direitos. 

A análise jurídica desses casos costuma considerar fatores como a prescrição médica, o registro do medicamento na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e as normas que regem a saúde suplementar.

Ao longo deste artigo, explicamos os principais aspectos relacionados à pegcetoplana, incluindo suas indicações terapêuticas, informações sobre o preço do Empaveli, as regras gerais de cobertura pelos planos de saúde, as alternativas existentes diante de eventual recusa e a relevância da orientação jurídica especializada na avaliação de cada situação concreta. Acompanhe!

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Preço e para que serve o Empaveli - Foto: WangXiNa/Freepik

O que é o medicamento Empaveli (pegcetacoplana)?

O Empaveli (pegcetacoplana) é uma terapia biológica que age como inibidor do sistema complemento, especialmente da proteína C3, desempenhando um papel fundamental no controle de respostas imunes que atacam estruturas vitais do organismo.

Ele foi originalmente aprovado no Brasil para o tratamento da Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN) - uma doença hemolítica rara caracterizada pela destruição excessiva de glóbulos vermelhos.

Agora, o medicamento também foi autorizado para uso em pacientes com Glomerulonefrite Membranoproliferativa Imunocomplexo Primária (GNMP-CI Primária), uma forma rara de glomerulonefrite que compromete a filtragem renal e pode evoluir para insuficiência renal.

Para que serve a pegcetacoplana?

Na HPN, a ativação descontrolada do sistema complemento pode levar à anemia severa, fadiga intensa e outras complicações graves. 

A pegcetacoplana atua ao se ligar à proteína C3, regulando essa ativação e diminuindo a destruição de glóbulos vermelhos, o que melhora significativamente os sintomas e a qualidade de vida do paciente.

No caso da GNMP-CI Primária, a ação anti-inflamatória e reguladora do Empaveli sobre o complemento pode reduzir o dano glomerular causado por imunocomplexos, oferecendo uma opção terapêutica em um cenário onde alternativas específicas frequentemente são limitadas. 

Preço do Empaveli: quanto custa o medicamento?

O Empaveli (pegcetacoplana) é classificado como um medicamento de alta complexidade terapêutica, destinado ao tratamento de doenças raras, o que se reflete diretamente em seu custo de comercialização.

Trata-se de um fator relevante a ser considerado no planejamento do tratamento, especialmente em terapias de uso contínuo.

De acordo com levantamentos recentes em canais especializados de comercialização de medicamentos, o valor de uma embalagem contendo 8 frascos de 1080 mg, utilizada no esquema padrão de administração subcutânea, pode se aproximar de R$ 185 mil

Apresentações com menor quantidade de frascos também apresentam valores elevados, podendo ultrapassar R$ 25 mil por unidade, a depender do fornecedor e da região.

Diante desses custos, o acesso ao Empaveli tende a estar diretamente relacionado às regras de cobertura dos planos de saúde e às normas que regem o fornecimento de medicamentos no sistema de saúde suplementar.

Por esse motivo, a análise das condições contratuais e do enquadramento legal aplicável ao caso concreto costuma ser um ponto importante na discussão sobre o acesso ao tratamento.

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Cobertura do Empaveli pelo plano de saúde: quando é possível - Foto: stefamerpik/Freepik

O plano de saúde cobre o Empaveli (pegcetacoplana)?

Diante da recomendação médica fundamentada na ciência, o plano de saúde deve cobrir o tratamento com o Empaveli (pegcetacoplana).

O registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é um passo fundamental para que qualquer medicamento possa ser comercializado e utilizado no Brasil, inclusive o Empaveli. Esse registro indica que o medicamento passou por avaliação técnica e atende aos critérios de eficácia e segurança previstos na lei que determina a cobertura pelo plano de saúde.

Por outro lado, a inclusão no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que define as coberturas mínimas obrigatórias dos planos de saúde, nem sempre ocorre de forma imediata. Isso é comum no caso de terapias avançadas e medicamentos de alta complexidade. 

A ausência no rol, por sua vez, costuma ser utilizada pelas operadoras como justificativa para a negativa de fornecimento.

Ainda assim, o entendimento adotado pelos tribunais brasileiros têm considerado que a recusa baseada exclusivamente na falta de previsão no rol da ANS pode ser abusiva. 

Esse posicionamento é especialmente observado quando o medicamento possui registro válido na Anvisa, existe prescrição médica devidamente fundamentada e não há alternativas terapêuticas eficazes previstas no rol.

Cobertura do Empaveli: o que diz a Justiça

A legislação brasileira sobre saúde suplementar passou por importantes atualizações nos últimos anos.

A Lei nº 14.454/2022 estabeleceu que o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS não deve ser interpretado de forma taxativa, mas como uma referência mínima de cobertura.

Com isso, abriu-se espaço para a análise de tratamentos que, embora não estejam expressamente previstos no rol, sejam considerados necessários ao quadro clínico do paciente.

Esse entendimento foi recentemente confirmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu a validade da Lei nº 14.454/2022 e reforçou que a ausência de um medicamento no rol da ANS, por si só, não impede o seu custeio pelo plano de saúde.

A avaliação deve levar em conta critérios técnicos, como a existência de registro na Anvisa, a prescrição médica fundamentada e a inexistência de alternativas terapêuticas eficazes já incorporadas.

Na prática, as decisões dos tribunais têm adotado essa orientação, reconhecendo que a negativa automática de cobertura do Empaveli pode ser considerada abusiva quando desconsidera a necessidade clínica do paciente.

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O que fazer se o plano negar o Empaveli (pegcetacoplana)?

Quando ocorre a negativa de fornecimento do medicamento pelo plano de saúde - seja com base na ausência no rol da ANS, no custo elevado ou na alegação de tratamento experimental - existem caminhos administrativos e jurídicos que podem ser avaliados, conforme as particularidades de cada caso.

Uma das possibilidades iniciais é o registro de reclamação junto à ANS. Essa medida permite formalizar a negativa e pode contribuir para a análise da conduta da operadora à luz das normas da saúde suplementar.

Em determinadas situações, também é possível recorrer ao Poder Judiciário, inclusive com pedido de tutela de urgência, instrumento utilizado para antecipar a análise do direito quando há risco à saúde do paciente. 

Esse tipo de pedido é apreciado com base na documentação médica apresentada e nas circunstâncias do caso concreto. 

Diante da complexidade dessas medidas, a orientação de um advogado com atuação em Direito da Saúde pode ser relevante para avaliar a situação, indicar a documentação necessária e esclarecer quais alternativas são juridicamente adequadas.

A importância da orientação jurídica especializada

A discussão sobre a cobertura do Empaveli (pegcetacoplana) vai além dos aspectos médicos e financeiros.

Ela envolve regras contratuais, normas da saúde suplementar e entendimentos jurisprudenciais que nem sempre são de fácil compreensão para pacientes e familiares. 

Por isso, a análise jurídica do caso concreto pode ter papel relevante na condução da demanda.

Um profissional com atuação em Direito da Saúde está habilitado a examinar as cláusulas do contrato do plano de saúde, verificar a compatibilidade da negativa com a legislação vigente e orientar sobre a documentação necessária, como relatórios médicos, laudos e justificativas técnicas que expliquem a necessidade do tratamento com Empaveli. 

Também cabe a esse profissional estruturar a fundamentação jurídica adequada, de acordo com as particularidades do caso.

Essa orientação se mostra especialmente importante em situações que envolvem medicamentos de alto custo e doenças graves, nas quais é necessário conciliar a urgência clínica com o cuidado jurídico exigido em demandas dessa natureza. 

Empaveli (pegcetacoplana) e o acesso ao tratamento pelo plano de saúde

O debate em torno do Empaveli (pegcetacoplana) evidencia questões relevantes do Direito da Saúde e das obrigações atribuídas às operadoras de planos de saúde no Brasil. 

Por se tratar de um medicamento de alto custo, indicado para doenças raras e graves, como a hemoglobinúria paroxística noturna e a Glomerulonefrite Membranoproliferativa Imunocomplexo Primária (GNMP-CI Primária), o acesso ao tratamento nem sempre ocorre de forma imediata, mesmo quando há prescrição médica adequada e registro sanitário válido.

Nesse contexto, a análise jurídica sobre a cobertura do Empaveli costuma considerar elementos como a indicação clínica fundamentada, a inexistência de alternativas terapêuticas eficazes previstas no rol da ANS e os princípios constitucionais que asseguram o direito à saúde e à dignidade da pessoa humana. 

O entendimento adotado pelos tribunais tem caminhado no sentido de permitir essa avaliação caso a caso, à luz da legislação vigente.

Diante da complexidade dessas situações, a orientação de um advogado com atuação em Direito da Saúde pode ser relevante para esclarecer dúvidas, avaliar as possibilidades jurídicas existentes e orientar o paciente e seus familiares quanto às medidas cabíveis.

Escrito por:

Autor Elton Fernandes

Elton Fernandes, advogado especialista em Direito da Saúde, professor de pós-graduação em Direito Médico e Hospitalar da USP de Ribeirão Preto, da Escola Paulista de Direito (EPD) e do Instituto Luiz Mário Moutinho, em Recife, professor do Curso de Especialização em Medicina Legal e Perícia Médica da Faculdade de Medicina da USP, presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB de São Caetano do Sul e autor do livro "Manual de Direito da Saúde Suplementar: direito material e processual em ações contra planos de saúde".

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