O tratamento do câncer de próstata pode envolver medicamentos de uso contínuo e de alto custo, o que faz com que a negativa de cobertura pelo plano de saúde represente uma preocupação relevante para o paciente e sua família.
Quando o médico prescreve um medicamento como o Erleada (apalutamida), é comum surgir a dúvida sobre quem deve arcar com os custos.
O Erleada é um medicamento utilizado no tratamento de alguns tipos de câncer de próstata.
O apalutamida possui previsão no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS para determinadas situações de câncer de próstata, conforme os critérios estabelecidos na Diretriz de Utilização (DUT) nº 64. A ausência de enquadramento em uma das hipóteses previstas na diretriz, porém, não encerra automaticamente a análise sobre a cobertura. A Lei nº 14.454/2022 estabelece critérios para a cobertura de tratamentos não previstos no rol.
Já no SUS (Sistema Único de Saúde), o fornecimento de medicamento não incorporado às políticas públicas, como é o caso do Erleada, também pode ser discutido judicialmente, desde que sejam atendidos os requisitos legais e jurisprudenciais aplicáveis.
Neste artigo, você entenderá o que é o Erleada, em quais situações ele pode ser indicado, como funciona a cobertura pelos planos de saúde e pelo SUS e quais medidas podem ser avaliadas diante de uma eventual negativa.
Confira:
Médico orienta paciente sobre tratamento do câncer de próstata com apalutamida - Imagem gerada por IA
Erleada (apalutamida) é um medicamento utilizado no tratamento de alguns tipos de câncer de próstata, conforme a indicação médica e as características clínicas de cada paciente.
A apalutamida pertence à classe dos medicamentos chamados inibidores do receptor de andrógeno. Sua utilização busca interferir na ação dos hormônios masculinos que podem estimular o crescimento das células do câncer de próstata.
A indicação do Erleada deve ser feita pelo médico responsável pelo tratamento, considerando fatores como o estágio da doença, as características do tumor, tratamentos anteriores e as condições clínicas do paciente. Por isso, a escolha do medicamento não cabe ao plano de saúde ou ao SUS, mas ao profissional médico que acompanha o paciente.
Essa distinção é importante quando existe uma negativa de fornecimento: a discussão não deve ser analisada apenas pela existência ou não do medicamento em uma lista da operadora, mas também pela prescrição médica, pela situação clínica do paciente e pelas regras aplicáveis à cobertura do tratamento.
O Erleada (apalutamida) é um medicamento de alto custo, e o valor pode representar um impacto financeiro significativo para pacientes que precisam utilizá-lo de forma contínua. O preço varia conforme a apresentação, o estabelecimento e os descontos aplicados.
Em consulta realizada em setembro de 2026, os preços encontrados para a caixa com 120 comprimidos de apalutamida variavam aproximadamente entre R$ 13 mil e R$ 17 mil, dependendo do estabelecimento.
Já o preço máximo ao consumidor indicado para São Paulo na lista de preços da CMED consultada em agosto de 2026 para o Erleada era de R$ 20.772,05.
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Informação |
Erleada (apalutamida) |
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Apresentação considerada |
60 mg – caixa com 120 comprimidos |
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Dose indicada na bula consultada |
240 mg, uma vez ao dia |
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Quantidade diária |
4 comprimidos de 60 mg |
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Duração aproximada da caixa |
30 dias |
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Preço encontrado em farmácias |
cerca de R$ 13 mil a R$ 17 mil |
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Preço máximo ao consumidor em SP |
R$ 20.772,05 |
Assim, considerando apenas o valor de referência encontrado no mercado, o custo anual do medicamento pode ultrapassar R$ 150 mil, podendo chegar a aproximadamente R$ 249 mil ao ano quando calculado pelo preço máximo de R$ 20.772,05 por caixa durante 12 meses.
A Anvisa é responsável pelo registro sanitário de medicamentos no Brasil, enquanto a ANS regulamenta a cobertura obrigatória dos planos de saúde. No caso do Erleada (apalutamida), a análise da cobertura deve considerar o registro sanitário, a indicação médica, as regras do contrato e as normas da saúde suplementar.
A apalutamida possui registro sanitário e indicação aprovada no Brasil. Além disso, o medicamento está previsto no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS por meio da Diretriz de Utilização (DUT) nº 64, que estabelece critérios para sua cobertura em determinadas situações de câncer de próstata.
A DUT nº 64 contempla o uso da apalutamida em pacientes com câncer de próstata não metastático resistente à castração e em pacientes com câncer de próstata metastático sensível à castração, desde que atendidos os critérios estabelecidos na diretriz.
Para os medicamentos antineoplásicos de uso oral, a Lei nº 9.656/1998 também prevê cobertura nos planos regulamentados, incluindo tratamentos antineoplásicos domiciliares de uso oral. Essa previsão foi incorporada à legislação pela Lei nº 12.880/2013.
Quando a indicação prescrita não estiver contemplada nas hipóteses da DUT, a análise não deve se limitar à ausência de previsão específica no rol. É necessário verificar os critérios legais aplicáveis aos tratamentos não previstos na listagem, além das circunstâncias clínicas e da fundamentação médica do caso.
É possível buscar a cobertura do Erleada (apalutamida) pelo plano de saúde quando há recomendação médica fundamentada na ciência.
Quando a indicação não estiver contemplada no rol da ANS, a análise deve considerar também os critérios legais e os parâmetros definidos pelo STF para tratamentos fora do rol.
A apalutamida está prevista na DUT nº 64 do rol da ANS para duas situações: câncer de próstata não metastático resistente à castração e câncer de próstata metastático sensível à castração. Quando o paciente atende aos critérios estabelecidos na diretriz, a análise da cobertura deve considerar essa previsão regulatória.
Quando a indicação prescrita não estiver contemplada na DUT nº 64, a ausência de previsão específica no rol não significa, isoladamente, que a análise esteja encerrada. Nessa hipótese, devem ser avaliados os critérios previstos na legislação para tratamentos não incluídos na listagem e os parâmetros estabelecidos pela jurisprudência aplicável.
Por isso, uma eventual negativa de cobertura deve ser analisada de acordo com a indicação médica, os critérios da DUT, a justificativa apresentada pela operadora e as demais circunstâncias do caso.
Isso porque o rol da ANS tem caráter de referência mínima, não de limite absoluto para a cobertura de tratamentos. Cabe ao médico assistente, e não à operadora, definir a indicação terapêutica adequada ao paciente, inclusive em casos de uso off-label (fora das indicações expressas em bula), quando houver fundamentação científica para tanto.
Segundo a bula da apalutamida, o medicamento é indicado para pacientes com:
Diante da recusa do apalutamida, o primeiro passo é reunir a documentação que comprove tanto a indicação médica quanto a recusa da operadora.
Mesmo quando o entendimento jurídico é favorável ao fornecimento do Erleada, a negativa de cobertura é comum na prática, o que não impede que a decisão seja questionada administrativamente e, se necessário, judicialmente.
Os documentos essenciais para essa análise são:
Com essa documentação, é possível buscar orientação jurídica especializada para avaliar as medidas administrativas ou judiciais cabíveis ao caso.
Em determinadas situações, sim. O SUS tem o dever de garantir aos usuários acesso a tratamentos e medicamentos prescritos, mesmo quando não constam da lista de dispensação regular, desde que preenchidos os requisitos legais aplicáveis ao caso.
Em ações judiciais contra o SUS, além da prescrição médica, costuma ser necessário demonstrar que os medicamentos fornecidos regularmente pela rede pública não apresentam a mesma eficácia para o caso do paciente, e que este não possui condições de custear o tratamento por conta própria.
A concessão da medida depende da análise dessas circunstâncias específicas, não sendo possível garantir o resultado do processo.
Sim. A apalutamida está prevista no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS por meio da DUT nº 64. A diretriz contempla o uso do medicamento para câncer de próstata não metastático resistente à castração e para câncer de próstata metastático sensível à castração, desde que sejam atendidos os critérios estabelecidos pela ANS.
Quando a indicação médica não estiver enquadrada nas hipóteses da DUT, a análise da cobertura deve considerar os critérios legais aplicáveis aos tratamentos não previstos no rol.
A ausência de previsão expressa não encerra a discussão. O rol da ANS é referência mínima, e a Lei nº 14.454/2022 permite a cobertura de tratamentos fora dele quando há indicação médica fundamentada e evidências científicas de eficácia.
Não. A apalutamida possui previsão de cobertura no Rol da ANS para determinadas situações clínicas. A DUT nº 64 contempla o câncer de próstata não metastático resistente à castração e o câncer de próstata metastático sensível à castração, desde que atendidos os critérios estabelecidos na diretriz.
Outras indicações exigem análise dos critérios legais e regulatórios aplicáveis, além da prescrição e da fundamentação médica apresentada no caso.
Pode ser alegado como justificativa, mas não encerra automaticamente a discussão. Havendo fundamentação científica que sustente o uso, a negativa pode ser questionada administrativamente e, conforme o caso, judicialmente.
Relatório médico detalhado com a justificativa da prescrição, a negativa formal da operadora por escrito, além de carteirinha do plano, documentos pessoais e comprovantes de pagamento, quando aplicável.
Em determinadas situações, sim. É necessário demonstrar que os medicamentos fornecidos regularmente pela rede pública não têm a mesma eficácia para o caso e que o paciente não tem condições de custear o tratamento por conta própria.
Não. O resultado depende das circunstâncias específicas do caso, das provas apresentadas e do entendimento do juízo responsável, não sendo possível prever ou garantir a decisão de antemão.
O Erleada (apalutamida) possui registro sanitário na Anvisa e está previsto no rol da ANS por meio da DUT nº 64 para determinadas situações de câncer de próstata. A diretriz contempla o câncer de próstata não metastático resistente à castração e o câncer de próstata metastático sensível à castração, observados os critérios estabelecidos pela ANS.
Quando a prescrição médica estiver enquadrada nas hipóteses da DUT, a análise da cobertura deve considerar a previsão regulatória e as demais regras aplicáveis ao contrato.
Já nas situações que não estiverem contempladas na diretriz, a análise é diferente. A ausência de previsão específica no rol não encerra necessariamente a discussão, mas a eventual cobertura dependerá do atendimento aos requisitos legais e aos parâmetros aplicáveis aos tratamentos não previstos no rol.
Para pacientes que buscam o fornecimento pelo SUS, também é necessário avaliar os requisitos específicos aplicáveis ao fornecimento judicial de medicamentos não incorporados às políticas públicas.
Assim, diante de uma negativa, é importante verificar a indicação médica, o enquadramento do caso na DUT nº 64, a justificativa apresentada pela operadora e a documentação clínica disponível antes de definir quais medidas podem ser adotadas.

Elton Fernandes, advogado especialista em Direito da Saúde, professor convidado de pós-graduação da USP, da USP de Ribeirão Preto, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, da Escola Paulista de Direito (EPD) e do Instituto Luiz Mário Moutinho, em Recife. É presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB de São Caetano do Sul e autor do livro "Manual de Direito da Saúde Suplementar: direito material e processual em ações contra planos de saúde".
ELTON FERNANDES SOCIEDADE DE ADVOGADOS
22.692.544/0001-02