Dalinvi (daratumumabe) pelo plano de saúde: quando a cobertura é obrigatória?

Dalinvi (daratumumabe) pelo plano de saúde: quando a cobertura é obrigatória?

Data de publicação: 24/10/2026
O Dalinvi (daratumumabe) é um medicamento utilizado no tratamento de doenças onco-hematológicas - Imagem gerada por IA

Quando o hematologista prescreve o Dalinvi (daratumumabe), o paciente e a família precisam considerar não apenas as questões relacionadas ao tratamento, mas também o custo do medicamento e as regras para obter a cobertura pelo plano de saúde.

O daratumumabe é um medicamento biológico utilizado no tratamento de doenças hematológicas, principalmente o mieloma múltiplo. Também possui indicações aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a amiloidose de cadeia leve (AL) e o mieloma múltiplo latente de alto risco, conforme a apresentação e o esquema terapêutico.

O daratumumabe ainda não foi incluído no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Isso significa que não há previsão de cobertura obrigatória específica do medicamento na lista para essas indicações. 

Entretanto, a ausência no rol não encerra a análise jurídica: a cobertura de tratamento não listado pode ser discutida à luz dos critérios estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADI 7.265, além das regras legais e contratuais aplicáveis.

A análise depende da indicação clínica, da apresentação prescrita, das alternativas terapêuticas disponíveis e das evidências científicas relacionadas ao tratamento. O registro na Anvisa e a prescrição médica são elementos relevantes, mas não garantem automaticamente o custeio do medicamento.

Neste artigo, explicamos o que é e para que serve o bussulfano, quais são os critérios para a cobertura do tratamento e o que fazer em caso de negativa do plano de saúde.

Entenda, a seguir:

  • Dalinvi (daratumumabe): para que serve e como funciona
  • Quanto custa o Dalinvi?
  • Dalinvi no rol da ANS e no SUS
  • Quando o plano de saúde pode ser obrigado a cobrir o Dalinvi?
  • O que mudou com a ADI 7.265 do STF?
  • O que fazer diante da negativa de cobertura?
  • Por que cada caso precisa ser analisado individualmente?

Resumo: acesso ao darutumumabe pelo plano de saúde

  • Para que serve: o Dalinvi contém daratumumabe, anticorpo monoclonal que atua sobre a proteína CD38. É utilizado em diferentes esquemas para o mieloma múltiplo e possui outras indicações aprovadas pela Anvisa.
  • Rol da ANS: o daratumumabe ainda não foi incluído na lista de cobertura obrigatória específica da agência.
  • Cobertura pelo plano: a ausência no rol não impede toda possibilidade de discussão sobre o custeio, mas a cobertura fora da lista depende do atendimento aos requisitos legais e aos parâmetros definidos pelo STF.
  • ADI 7.265: a decisão exige o preenchimento cumulativo de cinco requisitos para a cobertura de tratamentos não previstos no rol, além da observância dos parâmetros judiciais estabelecidos.
  • SUS: a Conitec recomendou a não incorporação do daratumumabe para determinadas situações de mieloma múltiplo recidivado ou refratário. Essas decisões se referem às indicações avaliadas.
  • Preço: em consulta realizada em 24 de outubro de 2026, foram encontrados anúncios de aproximadamente R$ 2,5 mil a R$ 33,5 mil por frasco, conforme a apresentação e a farmácia.
  • Diante de uma negativa: solicite a justificativa por escrito, guarde o protocolo e reúna a prescrição, o relatório médico, os exames e o histórico de tratamentos.
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O custo do Dalinvi (daratumumabe) varia conforme a apresentação e a dosagem. - Imagem gerada por IA

Dalinvi (daratumumabe): para que serve e como funciona

O Dalinvi é um medicamento biológico cujo princípio ativo é o daratumumabe. Trata-se de um anticorpo monoclonal que se liga à proteína CD38, encontrada na superfície de células plasmáticas, incluindo as células malignas associadas ao mieloma múltiplo.

Essa ligação desencadeia mecanismos imunológicos que contribuem para a destruição das células tumorais. A indicação do medicamento depende do diagnóstico, do estágio da doença e dos tratamentos já realizados.

A Anvisa aprovou o daratumumabe para diferentes situações clínicas, com esquemas terapêuticos específicos. Entre as principais indicações estão:

  • Mieloma múltiplo: pode ser utilizado em combinação com outros medicamentos ou em monoterapia, conforme a linha de tratamento, a resposta às terapias anteriores e a possibilidade de transplante autólogo de células-tronco.
  • Amiloidose de cadeia leve (AL): doença em que as células plasmáticas produzem cadeias leves de imunoglobulinas que podem se depositar nos tecidos e comprometer órgãos.
  • Mieloma múltiplo latente de alto risco: estágio precursor do mieloma múltiplo em que o paciente ainda não apresenta os critérios de doença sintomática, mas tem risco elevado de progressão. A apresentação subcutânea do Dalinvi recebeu aprovação para essa indicação em 2025.

As indicações e combinações autorizadas devem ser conferidas na bula vigente e nas publicações da Anvisa. A escolha do esquema é responsabilidade do médico assistente, que considera as características clínicas e a evolução da doença.

É importante distinguir a aprovação sanitária da cobertura pelo plano de saúde. A Anvisa avalia o registro e as indicações do medicamento, enquanto a cobertura assistencial depende das regras aplicáveis à saúde suplementar e, quando o tratamento não está previsto no rol, dos critérios jurídicos pertinentes.


Quanto custa o Dalinvi (daratumumabe)?

O Dalinvi é um medicamento de alto custo. O valor varia conforme a apresentação, a farmácia, as condições de pagamento e os descontos oferecidos.

Em consulta realizada em outubro de 2026, foram encontrados os seguintes preços anunciados para caixas com um frasco-ampola:

Apresentação

Preços anunciados à vista

100 mg/5 mL, intravenoso

R$ 2.510,00 a R$ 3.311,26

400 mg/20 mL, intravenoso

R$ 10.228,70 a R$ 12.064,92

1.800 mg/15 mL, subcutâneo (SC)

R$ 28.694,39 a R$ 33.488,70

Os valores correspondem a anúncios de varejo por frasco, e não a cotações hospitalares ou ao custo total do tratamento. Os preços e a disponibilidade podem mudar.

A consulta aos anúncios comerciais não substitui a verificação dos preços regulados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Para conferir os limites autorizados, consulte a lista oficial de preços de medicamentos da Anvisa.

O custo total depende da apresentação utilizada, da dose, da frequência das aplicações, da duração do tratamento e dos medicamentos associados. Por isso, o preço de um único frasco não representa o valor completo da terapia.

O alto custo ajuda a dimensionar o impacto financeiro de uma eventual negativa, mas não determina automaticamente a obrigação de cobertura do plano de saúde. A análise deve considerar a indicação médica, as regras assistenciais e os requisitos jurídicos aplicáveis.

>> Entenda quando o plano de saúde pode ser obrigado a custear um medicamento de alto custo, quais regras se aplicam e como avaliar uma negativa de cobertura.


Dalinvi no rol da ANS e no SUS

O daratumumabe possui registro na Anvisa, mas ainda não foi incluído no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS.

O rol, regulamentado pela Resolução Normativa nº 465/2021 e seus anexos, estabelece a cobertura assistencial obrigatória para os planos de saúde abrangidos pela legislação, respeitadas as segmentações contratadas e as regras específicas de cada procedimento ou tratamento.

A ausência do daratumumabe no rol significa que o medicamento não conta com previsão de cobertura obrigatória específica na lista. Isso não equivale, entretanto, a uma proibição absoluta de cobertura. 

Há possibilidade de custeio fora do rol, conforme a legislação vigente, a decisão do STF sobre tratamentos fora da listagem e das particularidades do caso.

A situação no Sistema Único de Saúde (SUS) é diferente. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) avalia tecnologias de saúde considerando, entre outros aspectos, as evidências científicas, a relação entre custo e efetividade e o impacto orçamentário.

No caso do daratumumabe, houve decisões de não incorporação para determinadas situações de mieloma múltiplo recidivado ou refratário:

  • Relatório nº 702, de 2022: a Conitec recomendou a não incorporação do daratumumabe em monoterapia ou associado à terapia antineoplásica para o controle do mieloma múltiplo recidivado ou refratário. A decisão foi formalizada pela Portaria SCTIE/MS nº 18, de 11 de março de 2022.
  • Relatório nº 848, de 2023: a Conitec recomendou a não incorporação do daratumumabe associado a bortezomibe e dexametasona para pacientes com mieloma múltiplo recidivado ou refratário que haviam recebido uma única terapia prévia. A decisão foi formalizada pela Portaria SECTICS/MS nº 59, de 18 de outubro de 2023.

Essas decisões dizem respeito às indicações e aos esquemas terapêuticos avaliados nos respectivos processos. Não devem ser interpretadas como decisões sobre todas as indicações aprovadas pela Anvisa.

A aprovação sanitária, a incorporação ao SUS e a inclusão no rol da ANS são processos distintos, com finalidades e critérios próprios.

Guia sobre reajuste do plano de saúde Guia sobre reajuste do plano de saúde
A negativa de cobertura do Dalinvi pelo plano de saúde pode ser contestada judicialmente. - Imagem gerada por IA

Quando o plano de saúde pode ser obrigado a cobrir o Dalinvi?

A ausência do daratumumabe no rol da ANS exige uma análise específica das condições legais para a cobertura de tratamentos não listados.

A Lei nº 9.656/1998, alterada pela Lei nº 14.454/2022, prevê critérios para a cobertura de procedimentos e tratamentos fora do rol. Em setembro de 2025, o STF julgou a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.265 e estabeleceu parâmetros para a aplicação dessas regras.

Com a decisão, a discussão sobre a cobertura do Dalinvi fora do rol deve considerar os requisitos cumulativos definidos pelo tribunal, além das exigências relacionadas à análise judicial.

A avaliação pode envolver:

  • a indicação clínica e a prescrição do hematologista;
  • a existência de alternativas terapêuticas adequadas no rol;
  • a situação regulatória do medicamento;
  • as evidências científicas que sustentam a eficácia e a segurança do tratamento;
  • a existência de eventual negativa expressa da ANS ou de proposta de atualização do rol ainda pendente de análise.

O fato de o médico indicar o medicamento é relevante para a análise clínica, mas não substitui a demonstração dos requisitos jurídicos aplicáveis à cobertura fora do rol.

Também é necessário verificar se existe uma alternativa terapêutica adequada prevista na lista para a condição do paciente. Essa avaliação não deve ser feita de maneira abstrata: depende do diagnóstico, das características da doença, dos tratamentos anteriores e das evidências disponíveis.

A conclusão, portanto, não é automática. O registro na Anvisa e a ausência de inclusão no Rol não bastam para determinar o resultado de um pedido de cobertura. É necessário examinar os critérios estabelecidos pelo STF e os elementos específicos do tratamento prescrito.


O que mudou com a ADI 7.265 do STF?

Em 18 de setembro de 2025, o STF julgou parcialmente procedente a ADI 7.265 e estabeleceu critérios para a cobertura de tratamentos não previstos no rol da ANS.

Segundo a decisão, a cobertura fora da lista depende do preenchimento cumulativo de cinco requisitos:

  1. Prescrição por profissional habilitado: o tratamento deve ser indicado por médico ou odontólogo assistente habilitado, conforme a natureza do procedimento.
  2. Ausência de negativa expressa da ANS ou de proposta de atualização pendente: deve ser verificada a situação regulatória relacionada à tecnologia e à eventual proposta de atualização do rol.
  3. Inexistência de alternativa terapêutica adequada no rol: é necessário demonstrar que não há alternativa prevista na lista que seja adequada à condição clínica do paciente.
  4. Evidências científicas de eficácia e segurança: o tratamento deve ter respaldo em evidências científicas de alto nível ou em avaliação de tecnologias em saúde, conforme os parâmetros definidos pelo STF.
  5. Registro na Anvisa: o medicamento deve possuir registro sanitário válido quando esse requisito for aplicável.

Os requisitos são cumulativos. Isso significa que a análise não pode se limitar à existência de prescrição médica ou ao registro sanitário.

A decisão também estabeleceu parâmetros para a apreciação judicial desses pedidos. Entre os pontos relevantes estão a necessidade de comprovar que o tratamento foi previamente solicitado à operadora e a exigência de fundamentação técnica e jurídica adequada para a análise da cobertura.

O relatório médico é importante para demonstrar a necessidade clínica do tratamento com o daratumumabe, mas a avaliação pode exigir documentação científica complementar, informações sobre alternativas terapêuticas e elementos que permitam verificar os demais requisitos.

No caso do Dalinvi, a análise deve considerar a indicação prescrita, a apresentação do medicamento, os tratamentos já realizados, as alternativas disponíveis e as evidências que sustentam o esquema proposto.

A íntegra do julgamento pode ser consultada na página oficial da ADI 7.265 no STF.


O que fazer diante da negativa de cobertura do Dalinvi?

Se o plano de saúde negar o custeio do daratumumabe, o primeiro passo é identificar o motivo apresentado pela operadora e reunir os documentos necessários para avaliar a situação.

A negativa de cobertura não deve ser considerada automaticamente legítima ou abusiva. O fundamento da recusa precisa ser comparado com as regras de cobertura aplicáveis, as condições contratuais e as particularidades clínicas do paciente.


Na hora da negativa

Formalize o pedido de autorização, caso ainda não tenha feito isso, e guarde o número do protocolo. Se a operadora recusar a cobertura, solicite a justificativa por escrito.

A resposta deve permitir identificar o motivo da decisão, como a ausência do medicamento no rol, uma questão contratual, a indicação prescrita ou a forma de administração.

Esse registro é importante para compreender os fundamentos da negativa e verificar quais medidas podem ser pertinentes.


Nos dias seguintes

Organize os documentos relacionados ao tratamento:

  • prescrição médica atualizada;
  • relatório do hematologista com diagnóstico, justificativa clínica e objetivos terapêuticos;
  • exames que fundamentam a indicação;
  • histórico dos tratamentos anteriores e das respostas obtidas, quando pertinente;
  • pedido de autorização e número do protocolo;
  • negativa formal da operadora;
  • estudos científicos ou documentos técnicos relevantes para demonstrar a eficácia e a segurança do esquema prescrito, quando necessários.

O relatório médico deve explicar a situação clínica do paciente e a razão da escolha do tratamento. Quando houver alternativas terapêuticas previstas no rol, é importante que a documentação esclareça a adequação dessas opções ao caso concreto.


Se a recusa continuar

O paciente pode registrar reclamação na ANS, informando o protocolo de atendimento da operadora. A agência possui mecanismos de intermediação de conflitos, incluindo a Notificação de Intermediação Preliminar (NIP), que busca solucionar determinadas demandas entre beneficiários e operadoras.

A reclamação administrativa não garante a autorização do medicamento nem substitui a análise das condições legais de cobertura.

Também é possível buscar avaliação de um advogado especialista em Direito da Saúde para examinar a negativa, os documentos e as medidas administrativas ou judiciais eventualmente cabíveis.

A escolha do caminho depende do fundamento da recusa, da situação clínica, da documentação disponível e dos requisitos legais aplicáveis. Não é possível prever o resultado apenas com base no nome do medicamento ou no fato de ele possuir registro sanitário.

>> Saiba em quais situações é possível pedir uma liminar contra a negativa do plano de saúde, quais documentos podem ser necessários e o que a Justiça considera ao analisar o pedido.

FAQ: dúvidas sobre Dalinvi pelo plano de saúde

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Dalinvi (daratumumabe)?

O daratumumabe ainda não foi incluído no rol da ANS. A possibilidade de cobertura fora da lista deve ser avaliada conforme os requisitos legais e os critérios estabelecidos pelo STF na ADI 7.265, além das particularidades clínicas e contratuais do caso.

O Dalinvi está no rol da ANS?

Não. O daratumumabe ainda não foi incluído no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS. A ausência no rol não equivale, contudo, a uma proibição absoluta de cobertura, mas exige a análise das condições aplicáveis aos tratamentos não listados.

Para que serve o Dalinvi?

O Dalinvi contém daratumumabe, um anticorpo monoclonal que atua sobre a proteína CD38. Possui indicações aprovadas pela Anvisa para diferentes situações de mieloma múltiplo, amiloidose de cadeia leve e, na apresentação subcutânea, mieloma múltiplo latente de alto risco.

Quanto custa o Dalinvi?

Em consulta realizada em 24 de outubro de 2026, os preços anunciados à vista variaram de R$ 2.510,00 a R$ 3.311,26 para a apresentação intravenosa de 100 mg/5 mL; de R$ 10.228,70 a R$ 12.064,92 para a de 400 mg/20 mL; e de R$ 28.694,39 a R$ 33.488,70 para a apresentação subcutânea de 1.800 mg/15 mL.

O SUS fornece daratumumabe?

A Conitec recomendou a não incorporação do daratumumabe para determinadas situações de mieloma múltiplo recidivado ou refratário, conforme os relatórios nº 702, de 2022, e nº 848, de 2023. Essas decisões se referem às indicações e aos esquemas avaliados em cada processo.

O que mudou com a ADI 7.265?

Em setembro de 2025, o STF estabeleceu cinco requisitos cumulativos para a cobertura de tratamentos não previstos no rol da ANS. A decisão também fixou parâmetros para a análise judicial desses pedidos, incluindo a comprovação da solicitação prévia à operadora e a fundamentação técnica e jurídica adequada.

O que fazer se o plano de saúde negar o Dalinvi?

Solicite a justificativa por escrito, guarde o protocolo e reúna a prescrição, o relatório médico, os exames e o histórico terapêutico. Depois, é necessário verificar o fundamento da negativa e avaliar as regras de cobertura e os critérios aplicáveis ao tratamento.

Quais documentos são importantes para avaliar a negativa?

Os principais documentos são a prescrição médica, o relatório do hematologista, os exames, o histórico dos tratamentos anteriores, o pedido de autorização, o protocolo de atendimento e a negativa formal. Conforme o caso, também podem ser necessários estudos científicos e documentos técnicos sobre as alternativas terapêuticas.

A reclamação na ANS garante o fornecimento do Dalinvi?

Não. A NIP é um mecanismo de intermediação que busca solucionar determinadas demandas entre beneficiários e operadoras, mas não garante a autorização do medicamento. A situação precisa ser analisada conforme as regras aplicáveis e os fundamentos da negativa.

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Por que cada caso precisa ser analisado individualmente?

O Dalinvi possui diferentes indicações e apresentações, e o daratumumabe pode ser utilizado em esquemas terapêuticos distintos. Por isso, a análise da cobertura deve considerar o tratamento efetivamente prescrito, e não apenas o nome comercial do medicamento.

A ausência de inclusão no rol da ANS é um elemento importante, mas não encerra toda a discussão jurídica. A possibilidade de cobertura fora da lista depende dos critérios legais e dos parâmetros definidos pelo STF, que exigem avaliação técnica e documental.

Também é necessário distinguir as decisões de não incorporação ao SUS das regras de cobertura da saúde suplementar. Os processos têm objetivos próprios e não produzem, automaticamente, a mesma consequência para o plano de saúde.

Assim, a análise de uma negativa de cobertura do Dalinvi deve reunir as informações médicas, regulatórias, científicas e contratuais pertinentes. A conclusão depende do quadro clínico e da demonstração dos requisitos aplicáveis, sem garantia prévia de resultado.

A atuação de um advogado especialista em Direito da Saúde pode ajudar a analisar a negativa de cobertura, as regras aplicáveis ao tratamento e as medidas administrativas ou judiciais cabíveis em cada caso.

Escrito por:

Autor Elton Fernandes

Elton Fernandes, advogado especialista em Direito da Saúde, professor convidado de pós-graduação da USP, da USP de Ribeirão Preto, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, da Escola Paulista de Direito (EPD) e do Instituto Luiz Mário Moutinho, em Recife. É presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB de São Caetano do Sul e autor do livro "Manual de Direito da Saúde Suplementar: direito material e processual em ações contra planos de saúde".

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