Elaprase (idursulfase): para que serve, preço e como obter pelo plano de saúde

Elaprase (idursulfase): para que serve, preço e como obter pelo plano de saúde

Data de publicação: 27/02/2026

Frascos do medicamento Elaprase

O Elaprase (idursulfase) é um medicamento de alto custo utilizado no tratamento de doenças associadas à disfunção ou ausência da enzima iduronato-2-sulfatase, condição rara conhecida como Síndrome de Hunter.

Trata-se de uma terapia de reposição enzimática indicada por autoridades sanitárias e respaldada por estudos clínicos quanto à sua eficácia.

Em razão do elevado custo do tratamento, muitos pacientes dependem do fornecimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou pelos planos de saúde.

Em algumas situações, o acesso ao medicamento pode ser negado ou interrompido, o que pode comprometer a continuidade do tratamento e exigir a adoção de medidas administrativas ou judiciais para sua garantia.

Este artigo apresenta informações sobre o Elaprase, seu funcionamento e as possibilidades de obtenção do medicamento tanto na rede pública quanto na saúde suplementar.

Fale com um advogado especialista em planos de saúde Fale com um advogado especialista em planos de saúde

Para que serve Elaprase?

Elaprase é o nome comercial da idursulfase, uma terapia de substituição enzimática empregada no tratamento de uma doença genética conhecida como síndrome de Hunter ou mucopolissacaridose tipo II (MPS II).

Esta condição é causada pela atividade deficiente ou ausência da enzima iduronato-2-sulfatase, essencial para a degradação adequada de glicosaminoglicanos (GAGs), moléculas complexas envolvidas em numerosas funções biológicas.

Na síndrome de Hunter, a ausência ou o mau funcionamento dessa enzima gera o acúmulo dessas substâncias nos tecidos do corpo. Desse modo, provoca diversos sintomas que, infelizmente, podem afetar gravemente a qualidade e a expectativa de vida dos pacientes.

Este medicamento é injetado diretamente na corrente sanguínea, geralmente por meio de infusões semanais. Assim, a terapia apresenta o potencial de diminuir ou impedir o desenvolvimento dos danos causados pela síndrome de Hunter.

Por exemplo, melhorando a função respiratória e a mobilidade, assim como atenuando outros sintomas associados, como a rigidez articular e o tamanho exacerbado do fígado e baço.

Contudo, não é uma cura, pois não resolve as causas genéticas da condição nem reverte integralmente os danos já ocasionados.

O uso de Elaprase é significativo, pois atende a uma necessidade clínica desprovida de alternativas simples, proporcionando aos pacientes com MPS II uma oportunidade de manejar melhor sua condição.

A terapia foi amplamente estudada e aprovada com base na evidência de que melhora certas medidas clínicas e de qualidade de vida, tornando-se um aspecto central da gestão contemporânea da síndrome de Hunter.


Qual a sua composição?

Este medicamento possui como princípio ativo a idursulfase, presente na concentração de 2,0 mg por mL de solução, perfazendo um total de 6,0 mg em cada frasco-ampola.

Além disso, a composição inclui diversos excipientes que permitem a estabilidade e administração segura da substância:

  • cloreto de sódio e polissorbato 20, responsáveis pela manutenção do equilíbrio osmótico e estabilização da mistura, respectivamente;
  • fosfato dibásico de sódio heptahidratado e fosfato monobásico de sódio monoidratado, que ajudam a manter o pH adequado da solução;
  • água para injeção, que serve como diluente.

Produção do medicamento Elaprase

Para quem esse medicamento não é recomendado?

A administração do Elaprase não é recomendada para indivíduos que possuem hipersensibilidade conhecida à idursulfase ou a qualquer um dos elementos presentes na formulação do medicamento.

As reações de hipersensibilidade podem variar em gravidade e incluem anafilaxia, que é uma resposta alérgica intensa e potencialmente fatal.

Além disso, a idursulfase não foi suficientemente estudada em crianças com idade inferior a 5 anos, e, por conseguinte, a segurança e eficácia do Elaprase ainda não foram estabelecidas para essa faixa etária.


Como Elaprase deve ser administrado?

Este medicamento deve ser administrado por um profissional de saúde qualificado, adotando método intravenoso, como dose pré-calculada conforme as características fisiológicas do paciente.

Desse modo, o profissional responsável realiza a diluição do Elaprase em solução de 0,9% de cloreto de sódio, preparando o medicamento de maneira correta para a sua administração.

Caso a dose calculada resulte ainda em uma quantidade do medicamento no frasco, deve ser armazenado em geladeira, em temperatura controlada entre 2°C e 8°C, de modo que seja preservado e mantido a sua integridade.

Portanto, o medicamento deve ser administrado, única e exclusivamente, por profissional de saúde qualificado. Em caso de dúvidas, procure seu médico ou médica de confiança.


Qual é a dose recomendada desse remédio?

A dosagem recomendada para o Elaprase é de 0,5 mg por peso corpóreo. A posologia recomendada é definida como uma dose diária, sendo administrada, em seu volume total, em período de 1 a 3 horas, conforme a avaliação e recomendação médica.

Para mais informações, consulte o médico ou médica responsável e siga as orientações apresentadas.

Guia sobre reajuste do plano de saúde Guia sobre reajuste do plano de saúde

Reações adversas e efeitos colaterais

Apesar de seguro e recomendado, o Elaprase representa um tratamento recente. Desse modo, as reações adversas e efeitos colaterais mapeados em estudos clínicos podem, também, apresentar outros sintomas ou quadros associados.

De acordo com fabricantes, este medicamento pode apresentar como reação adversa:

  • Reações alérgicas
  • Reações anafilática
  • Dor nas articulações
  • Queda nos níveis de oxigênio
  • Alteração do ritmo cardíaco
  • Embolismo pulmonar
  • Cianose

Qual o preço do Elaprase?

Apesar das variações de mercado, o Elaprase é comercializado no Brasil por preços que podem ultrapassar R$ 14.000 por frasco.

O alto custo unitário, aliado à posologia contínua e ao peso do paciente, pode representar um impacto financeiro significativo e dificultar o acesso ao tratamento adequado.

Por essa razão, muitos pacientes dependem do fornecimento pelo SUS ou pelos planos de saúde.

A seguir, veja como é possível solicitar o Elaprase tanto na rede pública quanto na saúde suplementar.


O plano de saúde é obrigado a fornecer o Elaprase?

Diante da recomendação médica fundamentada na ciência, é dever do plano de saúde fornecer o Elaprase para o tratamento da Síndrome de Hunter.

O Elaprase (idursulfase) possui registro sanitário na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), requisito essencial para sua comercialização e um dos critérios considerados para a cobertura assistencial pelos planos de saúde.

A Lei nº 14.454/2022 estabeleceu que o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) é exemplificativo, permitindo a cobertura de tratamentos não listados quando houver indicação médica fundamentada e comprovação de eficácia científica.

Nesse contexto, a Justiça brasileira tem reconhecido que medicamentos registrados na Anvisa e considerados essenciais ao tratamento podem ser fornecidos pelos planos de saúde, especialmente quando não existem alternativas terapêuticas eficazes.

A essencialidade terapêutica - caracterizada pela indispensabilidade do medicamento para preservar a saúde, a funcionalidade e a qualidade de vida do paciente - é um dos principais fundamentos utilizados nas decisões judiciais que determinam o fornecimento do tratamento.


Como conseguir o Elaprase pelo plano de saúde ou SUS?

O Elaprase é uma terapia de reposição enzimática essencial no tratamento da síndrome de Hunter (MPS II). Por isso, o acesso ao medicamento é fundamental para a manutenção da saúde e da qualidade de vida dos pacientes afetados por essa condição.

O fornecimento desse medicamento, assim como ocorre com outros tratamentos de alto custo, pode enfrentar obstáculos e ser negado ou interrompido tanto na rede privada quanto no Sistema Único de Saúde (SUS).

Considerando que o acesso à saúde é assegurado pela Constituição Federal, situações de negativa ou interrupção do fornecimento podem ser enfrentadas por meio de medidas administrativas e, quando necessário, por via judicial, com o objetivo de garantir a continuidade do tratamento.

A seguir, veja como solicitar o Elaprase pelo plano de saúde ou pelo SUS.

Advogado analisando acesso e fornecimento de Elaprase

Plano de saúde

Para a cobertura de medicamentos como o Elaprase, é importante que o tratamento possua registro na Anvisa, requisito que autoriza sua comercialização no país e costuma ser considerado nas análises de cobertura pelas operadoras.

Em caso de negativa, o paciente ou seus familiares podem buscar a revisão da decisão junto à operadora, apresentando relatório médico detalhado que comprove a necessidade clínica do medicamento e a ausência de alternativas terapêuticas eficazes.

Se a recusa persistir, a orientação jurídica pode ser útil para avaliar as medidas cabíveis, inclusive a possibilidade de ação judicial para garantir o acesso ao tratamento.


SUS

Para obter o Elaprase pelo SUS, é necessário verificar se o medicamento está previsto na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) ou nos protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas adotados pelo SUS.

Com a prescrição médica e os documentos pessoais, o paciente deve procurar a unidade de saúde ou farmácia pública mais próxima para formalizar a solicitação.

Caso haja dificuldade ou recusa no fornecimento, é possível buscar esclarecimentos administrativos junto ao próprio serviço de saúde e reunir documentação médica que comprove a necessidade do tratamento.

Se o acesso ao medicamento continuar indisponível e houver risco à saúde, a orientação jurídica pode auxiliar na avaliação das medidas cabíveis, inclusive a possibilidade de ação judicial para buscar o tratamento, conforme o direito constitucional à saúde.

Elaprase garantido por meio de auxílio de advogados especializados em Direiro à Saúde

Fale com um advogado especialista em planos de saúde Fale com um advogado especialista em planos de saúde

Cobertura do Elaprase: conheça seus direitos

Ao longo deste artigo, apresentamos informações sobre a indicação, composição, posologia, custo e formas de acesso ao Elaprase, tanto pelo Sistema Único de Saúde quanto pela saúde suplementar.

O medicamento é utilizado no tratamento de uma doença rara associada à deficiência ou ausência da enzima iduronato-2-sulfatase, condição que pode comprometer significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

No Brasil, o Elaprase é comercializado em solução injetável, com custo elevado por frasco, o que pode impactar a continuidade do tratamento e tornar essencial o acesso por meio do SUS ou dos planos de saúde.

Caso o fornecimento seja negado ou interrompido, a orientação jurídica pode ser importante para avaliar as medidas cabíveis e buscar a garantia do tratamento, conforme o direito à saúde assegurado pela legislação brasileira.

Escrito por:

Autor Elton Fernandes

Elton Fernandes, advogado especialista em Direito da Saúde, professor de pós-graduação em Direito Médico e Hospitalar da USP de Ribeirão Preto, da Escola Paulista de Direito (EPD) e do Instituto Luiz Mário Moutinho, em Recife, professor do Curso de Especialização em Medicina Legal e Perícia Médica da Faculdade de Medicina da USP, presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB de São Caetano do Sul e autor do livro "Manual de Direito da Saúde Suplementar: direito material e processual em ações contra planos de saúde".

Fique por dentro das atualizações!
Inscreva-se na nossa newsletter

Gostaria de receber nosso conteúdo?
Cadastra-se para receber.

Acompanhe o Dr. Elton Fernandes
especialista em ações contra planos de saúde, na imprensa:

Elton Fernandes na imprensa

Siga nossas redes sociais e saiba mais sobre Direito da Saúde:

  

VEJA
MAIS INFORMAÇÕES

PRECISA DE AJUDA?
ENTRE EM CONTATO CONOSCO

ELTON FERNANDES SOCIEDADE DE ADVOGADOS
22.692.544/0001-02

Seus dados estão protegidos e tratados com sigilo.