Conteúdo atualizado em 07 de outubro de 2026.
Sim, dentro das indicações que constam do rol da ANS. O dupilumabe (Dupixent) tem cobertura obrigatória pelo plano de saúde na asma eosinofílica grave e na asma alérgica grave em adultos, na dermatite atópica grave de 6 meses a menores de 18 anos, na dermatite atópica grave em adultos e na DPOC grave com inflamação tipo 2. Em cada uma dessas indicações a cobertura depende do cumprimento dos critérios da Diretriz de Utilização (DUT) da agência.
O que está em jogo é dinheiro alto. Uma caixa com duas seringas preenchidas de 300 mg custava entre R$ 10.658,44 e R$ 16.700,00 em consulta de 17 de setembro de 2026 (CliqueFarma), e na posologia de manutenção mais comum o tratamento passa de R$ 138 mil por ano.
Fora das indicações do rol, a cobertura não é automática, mas também não está descartada: desde 18 de setembro de 2025 ela depende dos cinco critérios cumulativos fixados pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADI 7.265.
O medicamento dupilumabe (Dupixent) é recomendado a pacientes com dermatite atópica grave, asma, síndrome de Samter, síndrome de Widal e, até mesmo, rinossinusite crônica com pólipo nasal, por exemplo.
Porém, frequentemente, pacientes recebem a recusa de seu custeio pelos planos de saúde.
As principais alegações são de que o medicamento não consta no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS (Agência Nacional de Saúde) ou que não preenchem os critérios para a cobertura.
O dupilumabe está incluído no rol da ANS para asma eosinofílica grave, asma alérgica grave, dermatite atópica grave e DPOC grave. A cobertura da dermatite atópica grave não é restrita a adultos: a Resolução Normativa nº 603/2024 da ANS estendeu a obrigatoriedade à população de 6 meses a menores de 18 anos, com vigência a partir de 2 de maio de 2024.
Em alguns casos, pacientes têm obtido o fornecimento do dupilumabe pelo plano de saúde mesmo em situações não previstas expressamente no rol da ANS.
Há decisões judiciais em que os tribunais determinaram a cobertura do medicamento para pacientes que não atendiam aos critérios da agência reguladora.
Este conteúdo reúne, em ordem, o que decide o acesso ao dupilumabe (Dupixent):

O dupilumabe é um anticorpo monoclonal que bloqueia o receptor alfa da interleucina-4 (IL-4Rα) e, por essa via, interrompe a sinalização das interleucinas 4 e 13. É aplicado por via subcutânea, em seringa ou caneta preenchida, e o próprio paciente ou um cuidador faz a aplicação em casa.
O dupilumabe é um medicamento indicado para condições inflamatórias de tipo 2 como dermatite atópica, asma, síndrome de Samter, síndrome de Widal e, até mesmo, rinossinusite crônica com pólipo nasal.
De acordo com a sua bula, o remédio é um anticorpo monoclonal totalmente humano. Isso significa que ele é uma proteína que reconhece e se liga às proteínas específicas do organismo.
Deste modo, o medicamento funciona inibindo a sinalização da interleucina-4 (IL-4) e interleucina-13 (proteínas importantes na resposta alérgica).
O dupilumabe serve para inibir a sinalização da interleucina-4 (IL-4) e interleucina-13 (proteínas importantes na resposta alérgica).
O medicamento é uma proteína que reconhece e se liga às proteínas específicas do organismo.
Em pessoas saudáveis, o sistema imunológico produz pouco ou nenhuma inflamação de pele.
Já em pacientes com dermatite atópica e com asma tipo 2, essas proteínas estão presentes em níveis elevados, causando inflamação e sintomas como irritação e coceira da pele.
O dupilumabe serve para ajudar a controlar os níveis dessas proteínas e reduzir os sintomas.

O dupilumabe tem registro na Anvisa para seis indicações, e é o bloqueio da mesma via inflamatória que explica por que um único medicamento trata doenças de pele, de pulmão, de nariz e de esôfago. O que muda de uma para a outra é se existe cobertura obrigatória no rol da ANS.
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Indicação |
Tem cobertura obrigatória no rol da ANS? |
Referência |
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Asma eosinofílica grave e asma alérgica grave em adultos |
Sim, na DUT 65.9 |
Critérios atualizados pela RN 634/2025, em vigor desde 2 de junho de 2025 |
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Dermatite atópica grave em adultos |
Sim, na DUT 65.14 |
Falha, intolerância ou contraindicação à ciclosporina |
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Dermatite atópica grave de 6 meses a menores de 18 anos |
Sim |
RN 603/2024, obrigatória desde 2 de maio de 2024 |
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DPOC grave com inflamação tipo 2 |
Sim |
Cobertura obrigatória a partir de 2 de março de 2026 |
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Rinossinusite crônica com pólipos nasais em adultos |
Não consta do rol |
Em bula, pela Anvisa |
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Esofagite eosinofílica |
Não consta do rol |
Em bula, pela Anvisa |
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Prurigo nodular |
Não consta do rol |
Em bula, pela Anvisa |
Para as indicações que não constam do rol, a via é a dos cinco critérios do STF, tratada mais adiante. A incorporação da DPOC grave foi aprovada pela Diretoria Colegiada da ANS depois de consulta pública e audiência pública, e a agência informou cobertura obrigatória a partir de 2 de março de 2026.
Uma caixa de dupilumabe com duas seringas preenchidas de 300 mg custava entre R$ 10.658,44 e R$ 16.700,00 em consulta de preços de farmácias feita em 17 de setembro de 2026 (CliqueFarma). A apresentação de 200 mg com duas seringas aparecia na faixa de R$ 12.800,00. O preço máximo autorizado para venda ao consumidor consta da lista de preços da CMED, na Anvisa.
A venda do dupilumabe é feita por farmácias específicas, em doses de 200mg a 300mg, com caixas com duas seringas.
O custo anual depende da posologia. Na manutenção mais comum da dermatite atópica em adulto, 300 mg a cada duas semanas depois de uma dose de ataque, uma caixa cobre aproximadamente um mês de tratamento, o que coloca o custo anual entre cerca de R$ 138 mil e R$ 217 mil. É essa ordem de grandeza que torna a discussão de cobertura decisiva para o paciente.
Não existe genérico de dupilumabe, e não existe por uma razão técnica: medicamento biológico não tem genérico, tem biossimilar. Biossimilar é um produto desenvolvido para ser comparável a um biológico já registrado, e depende de registro próprio na Anvisa. Até setembro de 2026 não havia biossimilar de dupilumabe registrado no Brasil.
O que existe são outras medicações que podem atender ao mesmo objetivo terapêutico, a depender do quadro clínico do paciente, como é o caso do baricitinibe para dermatite atópica. A escolha é do médico assistente, e a substituição por iniciativa da operadora não se confunde com ela.
O fornecimento do Dupixent® (dupilumabe) pelo plano de saúde pode ser solicitado quando houver prescrição médica, mesmo sendo um medicamento de alto custo.
Em casos de recusa, é possível buscar, por meio de ação judicial, a análise da cobertura do tratamento, considerando a prescrição médica e a legislação aplicável.
O dupilumabe está no rol da ANS em quatro situações, e é por isso que a negativa quase nunca se apoia na ausência do medicamento na lista: ela se apoia no não cumprimento dos critérios da Diretriz de Utilização, ou na indicação clínica estar fora das quatro.
Geralmente, as operadoras se recusam a custear o tratamento com o dupilumabe pelo plano de saúde utilizando duas justificativas mais comuns:
O medicamento Dupilumabe, de nome comercial Dupixent®, está listado no rol da ANS. A agência condicionou a cobertura a indicações e critérios clínicos definidos:
- Asma Eosinofílica Grave;
- Asma Alérgica Grave em adultos;
- Dermatite Atópica Grave, em adultos e na população de 6 meses a menores de 18 anos;
- DPOC Grave com inflamação tipo 2, desde 2 de março de 2026.
Veja o que diz a DUT da ANS, que incluiu dupilumabe de asma eosinofílica grave no item 65.9 (anexo II do rol de procedimentos da ANS):
Para a asma, a DUT 65.9 exige, entre outros requisitos, que a asma permaneça não controlada apesar do uso de corticoide inalatório associado a beta-2 agonista de longa duração, e ainda:
Esses critérios foram atualizados pela Resolução Normativa nº 634/2025 da ANS, em vigor desde 2 de junho de 2025, que revisou as diretrizes dos imunobiológicos para asma grave e passou a admitir a elegibilidade a partir de 150 células por microlitro no paciente sob corticoide oral. As atualizações do rol são publicadas pela agência na página de atualização do Rol de Procedimentos.
E, ainda, Dupilumabe foi inserido no rol da ANS para casos de dermatite atópica em adultos no item 65.14, nas seguintes situações:
Na dermatite atópica em adulto, a DUT 65.14 condiciona a cobertura a paciente com dermatite atópica grave com indicação de tratamento sistêmico, que apresente falha, intolerância ou contraindicação à ciclosporina, e que atenda a pelo menos um destes três parâmetros de gravidade:
Na dermatite atópica de 6 meses a menores de 18 anos, os critérios são outros. A Resolução Normativa nº 603, de 1º de abril de 2024 exige dermatite atópica grave sem resposta adequada ao tratamento tópico com corticosteroide e, ou, inibidor de calcineurina por pelo menos 6 meses. A obrigatoriedade vale desde 2 de maio de 2024.
Negativas fundamentadas na ideia de que "o rol só cobre adultos" estão desatualizadas desde então, e é um dos pontos em que a recusa da operadora contraria a própria norma da agência.
Quando a indicação clínica fica fora das quatro situações do rol, o caminho mudou. A Lei dos Planos de Saúde foi alterada em 2022 para admitir cobertura fora da lista, mas desde 18 de setembro de 2025 a matéria é regida pelos cinco critérios cumulativos fixados pelo STF na ADI 7.265, tratados na seção seguinte.
Assim, pacientes podem buscar a cobertura do dupilumabe para asma eosinofílica grave ou outras condições, como dermatite atópica, desde que haja indicação médica. Em situações não previstas pela ANS, pode ser necessário recorrer à Justiça para análise do caso concreto.
Na dermatite atópica, a cobertura pública e a privada são invertidas por faixa de idade, e esse é o ponto que mais gera confusão. O plano de saúde cobre o adulto e a criança; o SUS incorporou o medicamento para a criança e recusou a incorporação para o adulto.
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Dermatite atópica grave |
Plano de saúde (rol da ANS) |
SUS |
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Criança de 6 meses a menos de 12 anos |
Cobertura obrigatória, RN 603/2024 |
Incorporado, Portaria SECTICS/MS nº 48, de 3 de outubro de 2024 |
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Adolescente de 12 a menos de 18 anos |
Cobertura obrigatória, RN 603/2024 |
Não incorporado para dermatite atópica moderada a grave, Relatório CONITEC nº 931 |
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Adulto de 18 anos ou mais |
Cobertura obrigatória, DUT 65.14 |
Não incorporado, Relatório CONITEC nº 930, aprovado pela Portaria nº 53, de 24 de outubro de 2024 |
A leitura prática é direta: para o adulto com dermatite atópica grave, o plano de saúde é a via com cobertura obrigatória, e o SUS não é. Para a criança, as duas vias existem em norma. O detalhamento de cada uma está na seção sobre o SUS, mais adiante.
Criança e adolescente com dermatite atópica grave têm cobertura obrigatória de dupilumabe pelo plano de saúde desde 2 de maio de 2024. A regra vale para a população de 6 meses a menores de 18 anos e está na Resolução Normativa nº 603/2024 da ANS, que ampliou o rol depois de consulta pública. Até abril de 2024 a cobertura obrigatória alcançava apenas pacientes adultos, e é essa regra anterior que ainda aparece em negativas de operadora.
O requisito clínico para essa faixa é a dermatite atópica grave sem resposta adequada a pelo menos 6 meses de tratamento tópico com corticosteroide, inibidor de calcineurina, ou ambos. Preenchido o critério, a negativa deixa de ter apoio na própria norma da agência.
Quando a operadora nega mesmo com o critério preenchido, o caso tende a ser de descumprimento de norma vigente, e não de discussão sobre cobertura fora do rol. Isso muda o fundamento do pedido e costuma encurtar a discussão.
Quando a situação diverge do que está previsto no rol da ANS, a simples reclamação junto à agência reguladora pode não ser suficiente, pois a ANS fiscaliza o cumprimento de suas próprias normas. Ainda assim, a análise judicial pode considerar outras bases legais e científicas para a cobertura do tratamento.
Portanto, embora a atuação da ANS seja limitada ao rol de procedimentos, isso não impede que o paciente busque, judicialmente, o acesso ao dupilumabe quando houver indicação médica fundamentada.
Se a doença foi descoberta depois da entrada no plano de saúde, o prazo máximo de carência é de 180 dias, conforme o art. 12 da Lei 9.656/98.
Se o paciente já sabia ser portador da doença na contratação, aplica-se a cobertura parcial temporária de até 24 meses, prevista na mesma lei para doença ou lesão preexistente.
Nos planos de saúde empresariais com mais de 30 vidas ou mesmo nos contratos em que a criança fora incluída no plano de saúde dos pais nos primeiros 30 dias de vida, não costuma haver carência alguma.
A contagem dos prazos parte da data de início de vigência do contrato, e a operadora é obrigada a informar por escrito qual carência aplica a cada cobertura.
É possível solicitar o reembolso do valor pago pelo dupilumabe (Dupixent®).
Quando o caso estiver em conformidade com as regras da ANS, o plano de saúde deve analisar o pedido de cobertura ou reembolso. Em situações que não estejam de acordo com o rol da ANS, pode ser necessário recorrer à Justiça para avaliar a possibilidade de ressarcimento.
Para isso, é decisivo contar com um relatório médico detalhado, que comprove a necessidade do medicamento e sua prescrição adequada.
Para quem ainda não comprou o medicamento, o pedido é de fornecimento, e admite tutela de urgência. Para quem já pagou, o pedido é de ressarcimento do valor desembolsado, e depende de nota fiscal, da prescrição e do registro da negativa.
Em ambos os casos, a análise considera a documentação médica, a segmentação contratada e o que a operadora respondeu por escrito.
Desde 18 de setembro de 2025, a cobertura de tratamento fora do rol da ANS depende de cinco critérios que precisam estar presentes ao mesmo tempo. A tese foi fixada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADI 7.265, relatada pelo ministro Luís Roberto Barroso, e substituiu o regime anterior, em que a Lei 14.454/2022 admitia o cumprimento de um entre dois critérios alternativos.
Os cinco critérios cumulativos são:
Aplicados ao dupilumabe, o critério 5 está atendido em todas as indicações de bula, e o critério 3 é o que costuma decidir o caso: quando existe outro imunobiológico no rol para a mesma condição, a operadora sustenta que há alternativa disponível. Nas indicações que não constam do rol, como esofagite eosinofílica, rinossinusite crônica com pólipos nasais e prurigo nodular, é o critério 4 que cobra mais da fundamentação do relatório médico, com a literatura que embasa a prescrição.
A data da negativa importa, porque define qual regime se aplica:
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Data da negativa da operadora |
Regime aplicável |
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Até 20 de setembro de 2022 |
Entendimento anterior do STJ sobre a natureza do rol |
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De 21 de setembro de 2022 a 17 de setembro de 2025 |
Lei 14.454/2022, com dois critérios alternativos |
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A partir de 18 de setembro de 2025 |
ADI 7.265, com cinco critérios cumulativos |
A discussão sobre a natureza do rol e o alcance da decisão está detalhada no conteúdo sobre o rol da ANS exemplificativo.
Essa é a negativa mais específica que aparece nos processos de dupilumabe, e tem uma razão factual: o medicamento é subcutâneo e o paciente o aplica em casa. O art. 10, VI da Lei 9.656/98 exclui do plano-referência de cobertura o fornecimento de medicamento para tratamento domiciliar, ressalvado o disposto nas alíneas "c" do inciso I e "g" do inciso II do art. 12.
O Superior Tribunal de Justiça confirmou a licitude dessa exclusão, ao decidir que o fornecimento de medicamento de uso domiciliar não está entre as obrigações mínimas da operadora (STJ, 4ª Turma, REsp 1.883.654/SP, julgado em 08 de junho de 2021), na linha do que a 3ª Turma já havia decidido no REsp 1.692.938.. A própria decisão, porém, ressalva três hipóteses em que a obrigação permanece:
É a terceira ressalva que alcança o dupilumabe. O medicamento consta do rol da ANS vinculado ao procedimento de terapia imunobiológica endovenosa, intramuscular ou subcutânea, com diretriz de utilização, para indicações específicas. Nas indicações e nos critérios da DUT, portanto, a discussão não é de uso domiciliar: é de cobertura expressamente prevista pela agência.
Fora das indicações do rol, a operadora tende a somar duas defesas, a de que o tratamento está fora da lista e a de que o medicamento é de uso domiciliar. Nesse cenário o caso passa pelos cinco critérios da ADI 7.265, e a exclusão do art. 10, VI entra como argumento autônomo a ser enfrentado.
A terceira ementa reproduzida mais adiante nesta página é exatamente esse caso: a decisão de primeiro grau havia negado a tutela de urgência sob o fundamento de que se trata de medicamento de uso domiciliar, e o tribunal reformou a decisão para determinar o fornecimento do medicamento prescrito.

A bula registrada na Anvisa é mais ampla que o rol da ANS, e essa diferença explica boa parte das negativas: a indicação pode estar em bula e ainda assim não ter cobertura obrigatória, porque o rol define critérios próprios de cobertura, não de uso do medicamento.
A ANS estabeleceu critérios de cobertura do dupilumabe para determinadas condições, o que restringe a obrigatoriedade a pacientes e situações específicas. Nem todos os pacientes previstos na bula têm, por isso, cobertura automática pelo plano de saúde.
A bula do Dupixent® diz que o medicamento é indicado para o tratamento de pacientes a partir de 12 anos com:
Ela ainda reforça que o Dupixent pode ser utilizado com ou sem tratamento tópico.
Já para crianças de 6 meses a 11 anos de idade, a bula do Dupixent diz que ele é indicado para aquelas com:
Por fim, a bula do Dupixent diz que ele é indicado para pacientes a partir de 12 anos como tratamento de manutenção complementar para asma grave com inflamação tipo 2, caracterizada por eosinófilos elevados no sangue e/ou FeNO (fração exalada de óxido nítrico) aumentada, que estão inadequadamente controlados, apesar de doses elevadas de corticosteroide inalatório, associado a outro medicamento para tratamento de manutenção.
No mais, o Dupixent é indicado como terapia de manutenção para pacientes com asma grave e que são dependentes de corticosteróide oral, independentemente dos níveis basais dos biomarcadores de inflamação do tipo 2.
O medicamento também é utilizado com outros medicamentos para o tratamento de rinossinusite crônica com pólipo nasal (RSCcPN) em adultos cuja doença não é controlada com os seus medicamentos atuais.
São três as vias de acesso ao dupilumabe: a compra particular, o plano de saúde e o SUS, e cada uma tem regra própria.
O dupilumabe pode ser comprado em farmácias de alto custo, geralmente em doses de 200mg a 300mg, com caixas com duas seringas.
As duas outras vias, o plano de saúde e o SUS, estão tratadas nas seções seguintes.
A obrigação de cobertura não depende da operadora nem do tipo de contrato. Quando a indicação está no rol da ANS e os critérios da DUT estão preenchidos, a cobertura é devida em plano individual, familiar, coletivo por adesão ou empresarial, qualquer que seja a operadora. A condição contratual relevante é outra: o plano precisa ter segmentação ambulatorial.
A regra de fornecimento aplica-se a todos os tipos de planos de saúde, sejam empresariais, individuais, familiares ou coletivos por adesão, independentemente da operadora.
Para ter direito ao fornecimento do medicamento, é importante que o plano tenha cobertura na segmentação ambulatorial e que haja prescrição médica fundamentada.
O dupilumabe está incorporado ao SUS para o tratamento de criança com dermatite atópica grave, e não está incorporado para adolescente nem para adulto. A decisão de incorporação foi tornada pública pela Portaria SECTICS/MS nº 48, de 3 de outubro de 2024, na esteira do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde.
Nas outras faixas, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS recomendou não incorporar:
O acesso, quando há incorporação, segue o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dermatite Atópica, que organiza o tratamento por nível de gravidade e faixa de idade e inclui também terapia tópica e metotrexato. O caminho administrativo da retirada, com o Componente Especializado da Assistência Farmacêutica e o Laudo para Solicitação de Medicamentos, está detalhado no conteúdo sobre como conseguir remédio pelo SUS.
Incorporado não é o mesmo que disponível. Em nota pública sobre a ampliação do tratamento da dermatite atópica no SUS, a Sociedade Brasileira de Dermatologia registrou que o dupilumabe para crianças e o upadacitinibe para adolescentes, aprovados pela Portaria SECTICS/MS nº 48/2024, "ainda não foram efetivamente disponibilizados na rede pública". O prazo máximo para a oferta efetiva após a portaria de incorporação é de 180 dias, pelo art. 25 do Decreto 7.646/2011.
Quando o medicamento não está incorporado para a faixa ou a indicação do paciente, o fornecimento pelo SUS passa a depender de decisão judicial, e aí entram requisitos próprios, entre eles a demonstração de que o paciente não tem condições de custear o tratamento.
Embora seja possível obter o dupilumabe pelo SUS, esse procedimento costuma ser mais demorado em comparação ao fornecimento por plano de saúde, e a entrega pode não ser imediata ou regular.
Em qualquer das duas vias, SUS ou plano de saúde, o relatório médico detalhado é a peça central. Ele precisa justificar a necessidade e a urgência do tratamento e indicar que não há outra opção terapêutica equivalente disponível.
Uso off label é a prescrição para uma condição que não consta da bula aprovada pela Anvisa, com base em evidência científica. Não é uso irregular, e não afasta por si a cobertura: o que ele exige é fundamentação mais forte na prescrição.
Em situações em que o uso do dupilumabe (Dupixent®) não está previsto na bula, o tratamento pode ser considerado off label, ou seja, indicado pelo médico com base em evidências científicas.
O fornecimento do medicamento, nesses casos, depende de prescrição fundamentada na literatura médica e em estudos reconhecidos por agências reguladoras internacionais, como a FDA e a EMA (European Medicines Agency).
Existem registros de uso off label do dupilumabe em condições como a Síndrome de Samter (Síndrome de Widal), mesmo que a doença ainda não conste formalmente na bula do medicamento. A decisão sobre o tratamento deve sempre ser baseada na análise clínica e científica, respeitando a indicação do profissional de saúde.
É importante, nestes casos, que o médico faça uma boa prescrição, explicando o contexto clínico, os medicamentos que eventualmente já foram usados para tratar a doença e a razão pela qual acredita que Dupixent® (dupilumabe) pode ser útil neste caso.
Há decisões, por exemplo, determinando a cobertura do medicamento para esofagite eosinofílica, pois a FDA nos Estados Unidos já validou a indicação.
E, mesmo ainda não constando na bula, como o princípio ativo do medicamento está aprovado pela Anvisa, é possível buscar a cobertura desde logo do tratamento no Brasil.
A sequência que preserva o caso é sempre a mesma: registrar a negativa por escrito, reunir o relatório médico com as escalas de gravidade, acionar a ANS e, se necessário, a via judicial. Cada etapa tem prazo próprio.
Os prazos máximos que a operadora tem para autorizar constam da Resolução Normativa nº 259/2011 da ANS e estão publicados na página de prazos máximos de atendimento. Para terapia com diretriz de utilização, como é o caso do dupilumabe, o prazo corrente é de 10 dias úteis, contados da solicitação.
Documentos que costumam ser exigidos:
Em situações em que a cobertura do dupilumabe (Dupixent®) não esteja prevista pelo rol da ANS, alguns pacientes têm recorrido à Justiça para pleitear o fornecimento do medicamento.
O processo judicial é realizado de forma eletrônica em todo o território nacional, o que possibilita a tramitação independente da cidade ou estado em que o paciente reside.
O pedido de urgência se apoia no art. 300 do Código de Processo Civil, que condiciona a tutela à probabilidade do direito e ao risco de dano ou de ineficácia do resultado. Em tratamento de uso continuado, a interrupção da terapia é o fato que costuma caracterizar esse risco.
Há decisões judiciais em que pacientes obtiveram o fornecimento do dupilumabe (Dupixent®) por meio de ações contra planos de saúde.
Esses casos demonstram que, em determinadas situações, a recusa das operadoras pode ser questionada judicialmente, principalmente quando há prescrição médica fundamentada e respaldo científico.
Alguns exemplos de desfechos de processos envolvendo o fornecimento do dupilumabe mostram como o tema tem sido analisado nos tribunais, mas cada ação depende da avaliação individual do caso e das evidências apresentadas:
Nas três decisões, o elemento comum é a prescrição médica fundamentada. Na primeira, o tribunal invocou as Súmulas 96 e 102 do Tribunal de Justiça de São Paulo, que tratam da abusividade da negativa de tratamento prescrito pelo médico. Na terceira, o fundamento da negativa em primeiro grau foi justamente o uso domiciliar do medicamento, e ele não prevaleceu.
O momento que costuma justificar a via judicial é o da interrupção iminente do tratamento, porque é aí que se configura o risco de dano exigido pelo art. 300 do Código de Processo Civil.
O paciente que recebe o medicamento por programa de suporte do fabricante, com prazo definido para acabar, está nessa situação: a continuidade do tratamento depende de uma fonte de custeio que ainda não existe.
Também esgotado o prazo da Resolução Normativa nº 259/2011 sem resposta da operadora, a demora em si passa a ser o fato relevante.
Nenhuma ação judicial tem resultado previsível, e a análise é sempre do caso concreto. Os elementos que o juízo examina, contudo, são conhecidos e objetivos: a indicação clínica está entre as do rol da ANS; os critérios da Diretriz de Utilização estão documentados; o relatório médico fundamenta a prescrição; e, na indicação fora do rol, os cinco critérios da ADI 7.265 estão atendidos.
A existência de precedentes sobre o mesmo medicamento indica que o tema já foi enfrentado pelos tribunais, e não que um caso novo terá o mesmo desfecho. Cada decisão parte da documentação que foi apresentada naquele processo.
Sim, nas indicações que constam do rol da ANS: asma eosinofílica grave e asma alérgica grave em adultos, dermatite atópica grave em adultos e na faixa de 6 meses a menores de 18 anos, e DPOC grave com inflamação tipo 2 desde 2 de março de 2026. Em cada uma, a cobertura depende dos critérios da Diretriz de Utilização.
Uma caixa com duas seringas preenchidas de 300 mg custava entre R$ 10.658,44 e R$ 16.700,00 em consulta de setembro de 2026. Na posologia de manutenção mais comum da dermatite atópica em adulto, o custo anual fica entre cerca de R$ 138 mil e R$ 217 mil.
O medicamento está incorporado ao SUS para criança com dermatite atópica grave, pela Portaria SECTICS/MS nº 48, de 3 de outubro de 2024. Para adolescente e para adulto, a CONITEC recomendou a não incorporação. A Sociedade Brasileira de Dermatologia registrou que o tratamento incorporado ainda não foi efetivamente disponibilizado na rede pública.
Não existe genérico, porque medicamento biológico não tem genérico, tem biossimilar. Até setembro de 2026 não havia biossimilar de dupilumabe registrado na Anvisa.
Sim. A Resolução Normativa nº 603/2024 da ANS tornou a cobertura obrigatória para dermatite atópica grave de 6 meses a menores de 18 anos, com vigência a partir de 2 de maio de 2024, quando não houve resposta adequada a pelo menos 6 meses de tratamento tópico com corticosteroide, inibidor de calcineurina, ou ambos.
O art. 10, VI da Lei 9.656/98 permite excluir medicamento de uso domiciliar, e o STJ confirmou a licitude dessa exclusão. A decisão ressalva, porém, os medicamentos vinculados a procedimentos que a ANS lista como de cobertura obrigatória, categoria em que o dupilumabe se enquadra nas indicações do rol.
Os prazos máximos estão na Resolução Normativa nº 259/2011 da ANS. Para terapia com diretriz de utilização, o prazo corrente é de 10 dias úteis contados da solicitação.
Para doença descoberta depois da contratação, a carência máxima é de 180 dias. Para doença preexistente declarada, aplica-se a cobertura parcial temporária de até 24 meses. Em plano empresarial com mais de 30 vidas, e no recém-nascido inscrito nos primeiros 30 dias, em regra não há carência.
O pedido de reembolso é admissível, e depende da nota fiscal, da prescrição, do relatório médico e do registro da negativa. Quando o caso está dentro das regras da ANS, a operadora deve analisar o pedido.
Não. O dupilumabe é um imunobiológico que bloqueia o receptor alfa da interleucina-4, usado em doenças inflamatórias de tipo 2, e não um antineoplásico. A distinção tem efeito jurídico: a ressalva legal dos antineoplásicos orais de uso domiciliar não se aplica a ele.
O dupilumabe é um medicamento indicado para pacientes com dermatite atópica, asma, síndrome de Samter, síndrome de Widal e, até mesmo, rinossinusite crônica com pólipo nasal.
Muitas vezes, os planos de saúde recusam o custeio deste medicamento aos seus pacientes, alegando que ele não consta no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS ou dizendo que o paciente não atende aos critérios das Diretrizes de Utilização Técnica (DUT) da agência.
Duas verificações antecedem a discussão jurídica. A primeira é se a indicação clínica está entre as quatro que constam do rol da ANS, porque nesse caso a cobertura é obrigatória e o que se examina é o cumprimento da Diretriz de Utilização. A segunda é a data da negativa, que define se o caso é julgado pelo regime da Lei 14.454/2022 ou pelos cinco critérios cumulativos da ADI 7.265.
Em qualquer dos cenários, o documento que decide é o relatório médico, com o diagnóstico, a gravidade medida por escala, os tratamentos já tentados e a fundamentação da prescrição.

Elton Fernandes, advogado especialista em Direito da Saúde, professor convidado de pós-graduação da USP, da USP de Ribeirão Preto, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, da Escola Paulista de Direito (EPD) e do Instituto Luiz Mário Moutinho, em Recife. É presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB de São Caetano do Sul e autor do livro "Manual de Direito da Saúde Suplementar: direito material e processual em ações contra planos de saúde".
ELTON FERNANDES SOCIEDADE DE ADVOGADOS
22.692.544/0001-02