Mifamurtida (Mepact): tratamento do osteossarcoma, custo e como obter pelo SUS ou plano de saúde

Mifamurtida (Mepact): tratamento do osteossarcoma, custo e como obter pelo SUS ou plano de saúde

Data de publicação: 23/02/2026

Pessoa realizando tratamento com mifamurtide

Mifamurtida para osteossarcoma: saiba como o medicamento Mepact atua, efeitos colaterais e quando SUS e plano de saúde devem fornecer o tratamento.

mifamurtida (Mepact) é um medicamento indicado no tratamento do osteossarcoma, um tipo agressivo de câncer ósseo que exige abordagem terapêutica especializada.

Quando há prescrição médica, essa medicação pode ser parte essencial do tratamento, contribuindo para melhores resultados clínicos.

Ainda assim, pacientes e familiares frequentemente enfrentam dificuldades para obter o medicamento, especialmente diante de negativas de cobertura pelo plano de saúde ou dúvidas sobre sua disponibilização pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Classificada como um imunomodulador, o mifamurtida atua estimulando o sistema imunológico por meio da ativação de macrófagos, células responsáveis pela defesa do organismo.

Esse mecanismo favorece a resposta imune contra as células tumorais e, por isso, o medicamento costuma ser utilizado em associação com quimioterapia e cirurgia no tratamento do osteossarcoma.

Diante de sua relevância terapêutica e recomendação clínica, surgem questionamentos importantes sobre eficácia, efeitos colaterais e formas de acesso ao tratamento.

Neste artigo, explicaremos como o mifamurtida atua no organismo, quais são seus possíveis efeitos adversos e quais caminhos podem ser utilizados para obter o medicamento pelo SUS ou pelos planos de saúde.

Continue no artigo e tenha uma ótima leitura!

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O que é mifamurtida?

Mifamurtida, comercialmente conhecido como Mepact, é um medicamento utilizado no tratamento de pacientes com osteossarcoma, que é um tipo de câncer ósseo.

Esta medicação pertence a uma classe de drogas conhecida como moduladores da resposta biológica, especificamente atuando como um imunomodulador.

A função do mifamurtida envolve a ativação de células tipo macrófagos, que fazem parte do sistema de defesa do organismo.

Quando ativados, os macrófagos podem englobar e destruir células tumorais. Por este aspecto, o medicamento é normalmente administrado em conjunto com quimioterapia após o paciente ter sido submetido a uma cirurgia para remover o tumor principal.

Convencionalmente, é administrado via intravenosa, sendo que o regime de tratamento geralmente segue um ciclo específico durante várias semanas, conforme definido pelo médico ou médica oncologista responsável.

A terapia com este medicamento pode estar associada a efeitos colaterais, como reações no local da injeção, febre e calafrios, que refletem a ativação do sistema imune.


O que é o osteosarcoma e como mifamurtida pode ajudar?

Osteossarcoma é um tipo de câncer que se origina em células ósseas, apresentando uma prevalência em adolescentes e jovens adultos, frequentemente associado a rápidos períodos de crescimento.

Estas células tumorais geralmente se desenvolvem nas extremidades dos ossos longos e podem crescer rapidamente e se espalhar para outros tecidos.

Desse modo, os principais tratamentos incluem cirurgia para remover o tumor e a quimioterapia para destruir células cancerígenas restantes ou metástases.

Como terapêutica, esta medicação é associada ao tratamento do osteossarcoma, tendo em vista a sua capacidade de estimular a resposta imune do corpo contra as células tumorais.

Desse modo, a terapia com este medicamento oncológico pode melhorar as taxas de sobrevida em pacientes com osteossarcoma não-metastático quando combinada com quimioterapia e cirurgia, contribuindo para o tratamento multimodal dessa doença.


Como este medicamento age no sistema imunológico?

O mecanismo de atuação do mifamurtida está relacionado à ativação de macrófagos, um tipo essencial de células imunes. Desse modo, imita os componentes da parede celular de Mycobacterium, gerando uma resposta imunológica inata.

Esta resposta do sistema imunológico é geralmente direcionada contra microrganismos invasores, mas no caso deste medicamento, a ativação imune é dirigida contra as células cancerígenas.

Representação do mecanismo de atuação do mifamurtide no sistema imunológico

Efeitos colaterais e segurança de Mifamurtida

Considera-se o medicamento mifamurtida como de aceitação e tolerância adequadas, contudo, como em qualquer terapêutica podem ocorrer efeitos colaterais. Estas são classificadas de acordo com sua frequência (acima de 50% dos casos), sendo os mais comuns:

  •     arrepios
  •     febre
  •     fadiga
  •     náuseas
  •     taquicardia
  •     dor de cabeça

Vale ressaltar que reações de hipersensibilidade ao medicamento para osteossarcoma também podem ocorrer, com sintomas que incluem erupção cutânea, prurido e, raramente, reações alérgicas graves.


Monitoramento e manejo dos efeitos adversos

O monitoramento dos efeitos adversos dessa terapêutica em pacientes é essencial para garantir a segurança e a eficácia do tratamento.

Por este aspecto, os médicos responsáveis devem realizar um acompanhamento regular, o que pode incluir uma avaliação clínica completa e exames laboratoriais recorrentes. Por exemplo, de modo que sejam monitoradas a função hepática e as contagens sanguíneas.

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Quanto custa o mifamurtida?

A mifamurtida, comercializada sob o nome Mepact, apresenta custo elevado no Brasil, o que pode dificultar o acesso ao tratamento sem a cobertura pelo SUS ou pelos planos de saúde.

Atualmente, os preços podem variar conforme a farmácia especializada, a região e as condições comerciais.

Em geral, o preço do mifamurtida no Brasil é de aproximadamente R$ 19.750 por frasco de 4 mg (pó para solução injetável). Já para a apresentação do medicamento para osteossarcoma com frasco-ampola de 50 ml acompanhado de filtro estéril, o valor chega a R$ 26.701,40.

Como o tratamento costuma envolver múltiplas aplicações ao longo de várias semanas, o custo total do tratamento do osteossarcoma com o mifamurtida pode alcançar valores significativamente elevados.

Além dos preços praticados no varejo, os medicamentos também possuem valores regulados pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), vinculada à Anvisa, que estabelece o Preço Máximo ao Consumidor (PMC) e o Preço Máximo de Venda ao Governo (PMVG). Esses parâmetros podem ser consultados no portal oficial da Anvisa para verificação atualizada.

Diante do alto custo, muitos pacientes buscam o fornecimento da mifamurtida pelo Sistema Único de Saúde ou a cobertura pelo plano de saúde quando há indicação médica fundamentada.


Acessibilidade e disponibilidade de Mifamurtida

A Constituição Federal reconhece a saúde como um direito social e dever do Estado, o que reforça a importância do acesso ao tratamento adequado para pacientes com câncer.

Nesse contexto, o fornecimento de medicamentos essenciais pode ser buscado por vias administrativas e, quando necessário, por medidas judiciais.

No âmbito da saúde pública, a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer (Portaria nº 874/2013 do Ministério da Saúde) estabelece diretrizes para o cuidado integral dos pacientes oncológicos. Assim, o acesso a medicamentos, como o mifamurtida, pode ser assegurado quando houver indicação médica e atendimento aos critérios clínicos e administrativos adotados pelo SUS.

Na saúde suplementar, as operadoras de planos de saúde devem observar a legislação, a cobertura contratual, a regulamentação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e a prescrição médica fundamentada. Quando o medicamento possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e é considerado necessário ao tratamento, eventuais negativas podem ser questionadas.

A definição do tratamento mais adequado cabe ao médico responsável, que avalia as necessidades clínicas do paciente. Dessa forma, tanto no sistema público quanto no privado, o acesso aos medicamentos prescritos pode ser assegurado quando atendidos os requisitos clínicos e legais aplicáveis.

Acesso ao mifamurtide via ação judicial

O plano de saúde deve cobrir o mifamurtida?

Quando há prescrição médica fundamentada, é dever do plano de saúde cobrir o tratamento do osteossarcoma com o mifamurtida.

A Lei dos Planos de Saúde estabelece o registro na Anvisa e o respaldo científico como elementos essenciais para a cobertura de tratamentos pelos planos. E o mifamurtida atende aos dois requisitos. 

Em geral, quando o medicamento possui registro sanitário na Anvisa e há indicação médica devidamente justificada, eventuais negativas podem ser questionadas, especialmente quando a recusa compromete a continuidade do tratamento do câncer.

Embora as operadoras possam apresentar justificativas administrativas, como a ausência do mifamurtida no rol da ANS, a definição do tratamento mais adequado cabe ao médico responsável.

Sendo assim, caso o fornecimento não seja autorizado, é possível buscar orientação jurídica para avaliar as medidas cabíveis.

 

 

>> Entenda como funciona a cobertura de medicamentos de alto custo pelos planos de saúde.


O SUS fornece mifamurtida?

No Sistema Único de Saúde (SUS), o fornecimento de medicamentos oncológicos ocorre por meio da rede especializada de atendimento em oncologia, especialmente nas Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACONs) e nos Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACONs).

Nesses estabelecimentos, o tratamento é oferecido de forma integral, e os medicamentos necessários podem ser disponibilizados conforme os protocolos clínicos adotados e a indicação do médico responsável.

Diferentemente de outros medicamentos distribuídos pelas farmácias do SUS, os tratamentos oncológicos são fornecidos diretamente pelos hospitais habilitados. Caso o paciente esteja em acompanhamento em uma unidade credenciada, o próprio estabelecimento pode providenciar o medicamento necessário ao tratamento.

Se houver dificuldades no acesso, é possível buscar informações junto à equipe médica e à administração do hospital para verificar os procedimentos adequados e as alternativas disponíveis.

Persistindo a indisponibilidade do tratamento prescrito, pode ser possível buscar orientação jurídica para avaliar medidas administrativas ou judiciais que visem assegurar o acesso ao medicamento.

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Documentos necessários para obter o medicamento

Para solicitar o fornecimento do mifamurtida pelo SUS ou pelo plano de saúde, é importante reunir a documentação que comprove a necessidade clínica do tratamento.

Os principais documentos incluem:

  • relatório médico detalhado com diagnóstico e justificativa da prescrição;
  • prescrição médica atualizada;
  • exames e laudos que comprovem a condição clínica;
  • comprovante de acompanhamento em unidade oncológica (no caso do SUS);
  • carteirinha do plano de saúde e contrato (quando houver);
  • negativa formal de cobertura, se o plano recusar o fornecimento.

A organização desses documentos facilita a análise administrativa do pedido e pode ser essencial caso seja necessário buscar outras medidas para obter o acesso ao tratamento.

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Conclusão

O mifamurtida é um medicamento utilizado no tratamento do osteossarcoma, um tipo agressivo de câncer ósseo que exige abordagem terapêutica especializada.

Seu mecanismo de ação, baseado na ativação do sistema imunológico por meio dos macrófagos, contribui para o combate às células tumorais e pode favorecer melhores resultados quando associado à cirurgia e à quimioterapia.

Além de compreender como o medicamento atua e quais são seus possíveis efeitos adversos, é fundamental conhecer os caminhos para acesso ao tratamento.

Tanto o Sistema Único de Saúde quanto os planos de saúde devem observar a indicação médica e as normas vigentes, sendo possível questionar eventuais negativas quando o fornecimento do medicamento se mostra necessário.

Diante da relevância terapêutica do mifamurtida, buscar informação qualificada e orientação adequada pode contribuir para que o paciente tenha acesso ao tratamento indicado e continuidade no cuidado oncológico.

Escrito por:

Autor Elton Fernandes

Elton Fernandes, advogado especialista em Direito da Saúde, professor de pós-graduação em Direito Médico e Hospitalar da USP de Ribeirão Preto, da Escola Paulista de Direito (EPD) e do Instituto Luiz Mário Moutinho, em Recife, professor do Curso de Especialização em Medicina Legal e Perícia Médica da Faculdade de Medicina da USP, presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB de São Caetano do Sul e autor do livro "Manual de Direito da Saúde Suplementar: direito material e processual em ações contra planos de saúde".

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