Cenobamato: o plano de saúde deve cobrir esse medicamento para epilepsia?

Cenobamato: o plano de saúde deve cobrir esse medicamento para epilepsia?

Data de publicação: 27/04/2026
Novo tratamento da epilepsia aprovado no Brasil: cenobamato - Foto: Freepik

Saiba se o plano de saúde deve cobrir o cenobamato, preço do medicamento, acesso pelo SUS e o que fazer em caso de negativa

O cenobamato é um medicamento indicado para o tratamento de epilepsia focal resistente em adultos e tem despertado crescente interesse de pacientes e familiares, especialmente diante do alto custo e da dificuldade de acesso.

A principal dúvida de quem recebe essa prescrição é direta: o plano de saúde deve cobrir o cenobamato (Ontozry)?

Em muitos casos, a resposta é sim, sobretudo quando há indicação médica fundamentada, mesmo que o remédio seja recente no mercado ou ainda não esteja amplamente incorporado no Rol de Procedimentos e Eventos da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). 

Isso ocorre porque a legislação brasileira e o entendimento dos tribunais priorizam o direito à saúde e ao tratamento adequado.

A aprovação do cenobamato no Brasil, pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), trouxe uma nova alternativa terapêutica para pacientes com epilepsia de difícil controle, condição que pode comprometer significativamente a qualidade de vida. 

Estudos clínicos indicam uma redução relevante na frequência das crises em pacientes que não responderam a outros anticonvulsivantes. 

No entanto, por se tratar de um medicamento inovador, seu custo tende a ser elevado, o que leva muitos pacientes a dependerem do plano de saúde ou do sistema público.

Desse modo, compreender como funciona a cobertura do medicamento, quais são os direitos do paciente e o que fazer em caso de negativa é essencial. 

Neste artigo, explico as principais informações jurídicas e médicas sobre o tratamento para epilepsia. Acompanhe!

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Cenobamato: para que serve e quanto custa - Foto: Drobotdean / Freepik

O que é o cenobamato e para que serve?

O cenobamato é um medicamento anticonvulsivante indicado como terapia adjuvante para o tratamento de epilepsia focal em adultos, especialmente nos casos em que outros tratamentos não foram eficazes. 

Esse tipo de epilepsia é caracterizado por crises que se originam em uma área específica do cérebro.

De acordo com evidências científicas recentes, o cenobamato atua modulando canais de sódio e potencializando a ação do neurotransmissor GABA, o que contribui para reduzir a excitabilidade neuronal — mecanismo central das crises epilépticas.

Os estudos clínicos demonstraram que uma parcela significativa dos pacientes tratados com o medicamento apresentou redução expressiva na frequência das crises, incluindo casos de controle quase completo. 

Por isso, o medicamento é considerado uma alternativa relevante para pacientes com epilepsia resistente.


Cenobamato e epilepsia: quando ele é indicado?

A indicação do cenobamato para epilepsia ocorre, em geral, quando o paciente já tentou outros anticonvulsivantes sem sucesso. 

Trata-se, portanto, de uma opção terapêutica para casos mais complexos.

Entre os critérios médicos que costumam justificar a prescrição, destacam-se:

  • Diagnóstico de epilepsia focal resistente;
  • Falha terapêutica com outros medicamentos;
  • Frequência elevada de crises;
  • Impacto significativo na qualidade de vida do paciente.

A prescrição deve sempre ser feita por um médico especialista, com relatório detalhado que justifique a necessidade do medicamento.

Esse documento é fundamental, inclusive, em eventuais discussões com o plano de saúde ou em ações judiciais.


Preço do cenobamato: quanto custa o tratamento?

O preço do cenobamato ainda não foi definido no Brasil, especialmente por se tratar de um medicamento aprovado recentemente.

Embora os valores possam variar conforme a dosagem, importação e fornecedores, a estimativa é de que o custo mensal possa chegar a milhares de reais, sobretudo por se tratar de um medicamento de uso contínuo.

O valor do cenobamato fora do Brasil, comercializado como Ontozry em apresentações de 50 mg, 100 mg e 200 mg, é de cerca de US$ 700 por caixa com 84 comprimidos (R$ 3.488,00 na cotação de abril/2026).

Ou seja, estamos falando de um medicamento de alto custo, tornando inviável o acesso direto por grande parte da população.

Esse cenário reforça a importância de buscar alternativas de cobertura, seja pelo plano de saúde, seja por meio de políticas públicas ou medidas judiciais.

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Cobertura do cenobamato para epilepsia pelo plano de saúde - Foto: Drazen Zigic / Freepik

Aprovação pela Anvisa: o cenobamato é autorizado para uso no Brasil?

Sim. O cenobamato recebeu o aval da Anvisa em 2026 para o tratamento de epilepsia focal em adultos.

Essa liberação regulatória é um marco importante, pois indica que o medicamento foi considerado seguro e eficaz para uso no país.

Sob a perspectiva jurídica, o registro sanitário concedido pela Anvisa reforça o direito do paciente ao acesso ao tratamento, já que o fármaco passa a integrar o conjunto de terapias reconhecidas no Brasil.

Mesmo antes de eventual inclusão no rol da ANS ou nos protocolos do SUS, a existência deste registro já constitui um argumento relevante em demandas judiciais que buscam obter o fornecimento do medicamento.


Cenobamato pelo plano de saúde: existe obrigação de cobertura?

Diante da recomendação médica fundamentada na ciência, é dever do plano de saúde cobrir o medicamento cenobamato (Ontozry).

Este é um medicamento com registro sanitário no Brasil e respaldo da ciência para o tratamento da epilepsia. Portanto, cumpre dois requisitos importantes para a obrigação de cobertura pelos planos de saúde, segundo a Lei dos Planos de Saúde (Lei nº 9.656/98).

De modo geral, as operadoras devem cobrir medicamentos prescritos pelo médico, desde que:

  • Haja registro na Anvisa;
  • O tratamento seja necessário para a doença coberta pelo contrato;
  • Exista indicação médica fundamentada.

Ainda que o medicamento seja de uso domiciliar e não esteja listado no Rol de Procedimentos da ANS, o entendimento predominante dos tribunais é de que o rol pode ser superado, especialmente quando há recomendação médica baseada em evidência científica.

>> Entenda como ocorre a cobertura de medicamentos de uso domiciliar.


Cobertura do cenobamato: o que fazer em caso de negativa?

A negativa de cobertura do cenobamato é uma realidade enfrentada por muitos pacientes, geralmente sob justificativas como a ausência do medicamento no Rol de Procedimentos da ANS ou o fato de se tratar de fármaco de uso domiciliar. 

No entanto, essas razões vêm sendo, com frequência, afastadas pelo Poder Judiciário, especialmente após a promulgação da Lei nº 14.454/2022.

Essa lei alterou a Lei dos Planos de Saúde (Lei nº 9.656/98) para estabelecer que o rol da ANS tem caráter exemplificativo, e não taxativo. 

Na prática, isso significa que a cobertura não pode se limitar apenas aos procedimentos expressamente listados pela agência reguladora, sobretudo quando há prescrição médica fundamentada e evidência científica de eficácia do tratamento.

Assim, a exclusão automática de cobertura com base em critérios administrativos tende a ser considerada abusiva.

Diante desse cenário, em caso de recusa, é recomendável:

  • Solicitar a negativa por escrito, com a justificativa detalhada do plano de saúde;
  • Reunir relatório médico completo, que demonstre a necessidade do medicamento e a urgência do tratamento;
  • Buscar orientação jurídica especializada para análise do caso.

Com esses documentos, é possível ingressar com ação judicial, muitas vezes com pedido de liminar, a fim de obter uma decisão rápida que determine o fornecimento do medicamento e evite prejuízos à saúde do paciente.


Cenobamato no SUS: é possível obter pelo sistema público?

O acesso ao cenobamato pelo SUS ainda é limitado, especialmente por se tratar de um medicamento recém-aprovado.

No entanto, isso não impede o paciente de buscar o fornecimento judicialmente, com base no direito constitucional à saúde. 

Nesses casos, o Judiciário pode determinar que o Estado forneça o medicamento, desde que comprovada a necessidade e a incapacidade financeira do paciente.


A importância da orientação jurídica especializada

Diante da complexidade que envolve o acesso a medicamentos de alto custo como o cenobamato, a orientação jurídica especializada pode ser determinante.

Um advogado especialista em Direito à Saúde poderá:

  • Avaliar a viabilidade do caso;
  • Identificar a melhor estratégia (plano de saúde ou SUS);
  • Reunir a documentação necessária;
  • Acompanhar eventual ação judicial.

Esse suporte técnico é especialmente relevante para contribuir para uma análise mais completa do caso pelo Judiciário.

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Cenobamato: como obter acesso ao tratamento adequado

O cenobamato representa um avanço importante no tratamento da epilepsia resistente, oferecendo nova perspectiva para pacientes que não obtiveram sucesso com outras terapias.

Apesar do custo elevado e das dificuldades iniciais de acesso, o ordenamento jurídico brasileiro oferece mecanismos para buscar o acesso ao tratamento adequado.

Seja por meio do plano de saúde ou do SUS, o paciente não deve ser privado de um medicamento necessário e prescrito por seu médico. 

Em caso de dúvidas ou negativa de cobertura, buscar informação qualificada e orientação jurídica pode ser o primeiro passo para obter esse direito.

A análise individualizada de cada caso é fundamental para definir o melhor caminho e permitir que o tratamento seja iniciado o quanto antes.

Escrito por:

Autor Elton Fernandes

Elton Fernandes, advogado especialista em Direito da Saúde, professor convidado de pós-graduação da USP, da USP de Ribeirão Preto, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, da Escola Paulista de Direito (EPD) e do Instituto Luiz Mário Moutinho, em Recife. É presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB de São Caetano do Sul e autor do livro "Manual de Direito da Saúde Suplementar: direito material e processual em ações contra planos de saúde".

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