Saiba como solicitar judicialmente a liberação do FGTS para tratamento de infertilidade e quais documentos são necessários
Você tem saldo retido no FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e quer saber se ele pode ser utilizado no tratamento da infertilidade? Em alguns casos, a Justiça tem autorizado a utilização do FGTS para fins de tratamento médico.
Muitos pacientes enfrentam dificuldades para custear tratamentos de infertilidade, como a fertilização in vitro (FIV), que geralmente não é coberta pelos planos de saúde.
Nesses casos, o saldo retido no FGTS pode ser uma alternativa importante para ajudar a arcar com os custos do procedimento, medicamentos e exames necessários, permitindo que mais pessoas tenham acesso ao tratamento mesmo quando os recursos próprios ou o plano de saúde não são suficientes.
E, neste artigo, explicamos como é possível solicitar judicialmente a liberação dos valores depositados na conta do FGTS para o tratamento da infertilidade, tanto para si próprio quanto para familiares, detalhando os documentos necessários e os passos do processo.
RESUMO DA NOTÍCIA:
A Lei 8.036, que rege o FGTS, permite que o valor retido no fundo seja usado para o tratamento médico de pacientes com doenças graves.
Porém, a norma restringe a liberação do saldo retido somente para alguns casos clínicos, como neoplasia maligna, HIV ou doença em estágio terminal.
Dessa forma, a Caixa Econômica Federal - empresa responsável pela gestão dos valores referentes ao saque do benefício do FGTS - autoriza somente o levantamento do saldo para trabalhadores acometidos pelas doenças listadas na lei, recusando a liberação para todos os outros tipos de tratamentos médicos, como é o caso do tratamento da infertilidade.
Embora o uso do FGTS para tratamento de infertilidade não esteja previsto expressamente na lei, em alguns casos a Justiça tem autorizado a utilização do saldo retido no fundo para esse fim.
A Caixa Econômica Federal costuma se recusar a liberar os valores para tratamentos que não estão entre os previstos na Lei 8.036/90, mas é possível solicitar judicialmente a liberação mediante comprovação de necessidade médica.
Essa possibilidade ainda é pouco conhecida, mas pode ser uma alternativa para pacientes que não têm recursos próprios ou cobertura pelo plano de saúde.
Para ingressar com a ação, é necessário apresentar documentos como relatório médico detalhado, extrato do FGTS e, quando disponível, registro de recusa da Caixa à liberação do saldo.
Em alguns casos, a Justiça pode analisar o pedido de forma mais ágil por meio de liminar, o que permite uma avaliação antecipada do direito à liberação do FGTS para o tratamento.
É importante lembrar, contudo, que cada situação é única, e a decisão dependerá da análise do juiz responsável pelo processo.
Em alguns casos, é possível solicitar judicialmente a liberação do saldo retido no FGTS para custear o tratamento de infertilidade de familiares, como cônjuges, filhos, pais ou avós, desde que seja comprovado o vínculo de parentesco e a necessidade médica.
A análise do pedido, no entanto, dependerá da apresentação de documentos como relatório médico detalhado e extrato do FGTS, e cada processo é avaliado individualmente pela Justiça.
Para solicitar judicialmente a liberação do FGTS para o tratamento da infertilidade, geralmente é necessário apresentar alguns documentos, como:
Vale destacar que cada processo é avaliado individualmente pela Justiça, e a análise dependerá da documentação apresentada e das particularidades do caso.
Em alguns casos, a Justiça pode analisar mais rapidamente pedidos de liberação do FGTS quando há pedido de liminar, que é uma ferramenta jurídica utilizada para avaliação antecipada do direito.
No entanto, cada processo é analisado individualmente, e não existe um prazo fixo para a decisão, pois a tramitação depende das particularidades de cada caso.
Atualmente, todo o processo judicial relacionado à liberação do FGTS pode ser realizado de forma digital, o que permite que o pedido seja protocolado e acompanhado remotamente, sem necessidade de deslocamento até o fórum.

Elton Fernandes, advogado especialista em Direito da Saúde, professor de pós-graduação em Direito Médico e Hospitalar da USP de Ribeirão Preto, da Escola Paulista de Direito (EPD) e do Instituto Luiz Mário Moutinho, em Recife, professor do Curso de Especialização em Medicina Legal e Perícia Médica da Faculdade de Medicina da USP, presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB de São Caetano do Sul e autor do livro "Manual de Direito da Saúde Suplementar: direito material e processual em ações contra planos de saúde".
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