Artroplastia de resurfacing pelo plano de saúde: como funciona a cirurgia e o que fazer se o plano recusar a cobertura

Artroplastia de resurfacing pelo plano de saúde: como funciona a cirurgia e o que fazer se o plano recusar a cobertura

Data de publicação: 23/04/2026

artroplastia de resurfacing como funciona
Foto: kjpargeter

Descubra se o plano de saúde cobre a artroplastia de resurfacing e saiba o que fazer em caso de negativa para buscar o seu direito à cirurgia ortopédica

A artrose no quadril pode limitar demais a qualidade de vida, principalmente para quem ainda leva uma rotina ativa. Uma das opções modernas e menos invasivas para tratar esse problema é a artroplastia de resurfacing, também chamada de prótese de recapeamento.

Se você está lidando com dores no quadril por conta de artrose e recebeu a recomendação médica para fazer uma artroplastia de resurfacing, provavelmente já começou a se perguntar: "E o plano de saúde, será que cobre essa cirurgia?" 

A resposta é: em muitos casos, há fundamentos legais para exigir a cobertura pelo plano de saúde, especialmente quando há indicação médica fundamentada - mas nem sempre é tão simples assim.

Muitos pacientes ainda enfrentam recusas devido à falta de inclusão desta técnica cirúrgica no Rol de Procedimentos e Eventos da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

Mas estas recusas contrariam a Lei dos Planos de Saúde, que determina a cobertura de todos os procedimentos com eficácia científica comprovada, como é o caso do resurfacing.

Ou seja, podem ser contestadas judicialmente para que você tenha acesso ao tratamento prescrito por seu médico coberto pelo plano de saúde.

E, neste artigo, explico o que é artroplastia de resurfacing, suas vantagens, quem pode se beneficiar, como funciona a cobertura pelo plano de saúde e o que fazer em caso de negativa. Acompanhe!

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O que é a artroplastia de resurfacing?

A artroplastia de resurfacing — também chamada de prótese de recapeamento do quadril — é um tipo de cirurgia ortopédica que surgiu como alternativa à tradicional artroplastia total do quadril.

Enquanto essa última remove completamente a cabeça do fêmur e a substitui por uma prótese, o resurfacing é menos invasivo: ele recobre a cabeça do fêmur com uma capa metálica, mantendo grande parte do osso natural.

A técnica envolve dois componentes:

  • Um implante metálico que recobre a cabeça do fêmur, após uma fresagem precisa do osso;
  • Um componente acetabular metálico, inserido no encaixe da bacia (acetábulo), sem uso de parafusos.

Com isso, o quadril passa a funcionar de forma mecânica, com duas superfícies metálicas articulando entre si.

artroplastia de resurfacing para artrose
Foto: kjpargeter


Vantagens da artroplastia de resurfacing

Essa cirurgia é especialmente indicada para pessoas mais jovens, ativas, que precisam de mobilidade e pretendem continuar praticando esportes ou atividades físicas intensas.

Entre os principais benefícios da artroplastia de resurfacing, estão:

1. Preservação óssea

Como a cabeça do fêmur não é removida totalmente, o paciente mantém uma estrutura óssea mais próxima do natural. Isso facilita, inclusive, uma possível cirurgia de revisão no futuro (caso seja necessário trocar a prótese).

2. Mais estabilidade e menos risco de luxação

O resurfacing utiliza uma cabeça femoral maior, o que reduz o risco de a prótese sair do lugar — uma preocupação comum em próteses tradicionais.

3. Alta durabilidade

Estudos mostram que a durabilidade da artroplastia de resurfacing é bastante promissora:

  • Em homens: 99% de sucesso após 10 anos e 92% após 21 anos.
  • Em mulheres: 90% de sucesso em 10 anos e 81% após 22 anos.

4. Retorno à atividade física

Por ser uma prótese estável e resistente, o resurfacing permite ao paciente retomar atividades físicas de alto impacto com maior liberdade — algo mais limitado na artroplastia total de quadril.

5. Recuperação rápida

A internação costuma durar poucos dias e, com o acompanhamento adequado, o retorno às atividades pode acontecer dentro de algumas semanas.


Quem pode se beneficiar dessa cirurgia?

A artroplastia de resurfacing não é indicada para todo mundo, cabendo a uma criteriosa avaliação médica definir quem pode realizá-la. Mas, de modo geral, os melhores candidatos para o procedimento são:

  • Pacientes jovens (geralmente abaixo dos 60 anos);
  • Pessoas com artrose no quadril, mas sem grandes deformidades ósseas;
  • Indivíduos que desejam manter um estilo de vida ativo, com prática esportiva.

Já pacientes mais velhos, com osteoporose ou alterações ósseas mais severas, podem se beneficiar mais da artroplastia total tradicional.


Resurfacing x artroplastia total: qual a diferença real?

Além da técnica cirúrgica e do tipo de prótese, os dois procedimentos se diferenciam em durabilidade, mobilidade, recuperação e impacto na estrutura óssea.

Confira, a seguir, as principais diferenças entre a artroplastia de resurfacing e a artroplastia total de quadril:

diferenças entre artroplastia de resurfacing e total de quadril

Apesar de todos esses pontos a favor do resurfacing, é importante lembrar que os resultados clínicos a curto prazo são parecidos entre os dois métodos.

Por isso, a decisão final deve ser tomada em conjunto com o médico, considerando o estilo de vida, idade e saúde óssea do paciente.

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O plano de saúde cobre a artroplastia de resurfacing?

Agora vamos ao ponto crucial: a cobertura pelo plano de saúde.

A resposta é sim, o plano deve cobrir a artroplastia de resurfacing sempre que a cirurgia for prescrita pelo médico com base em evidências científicas.

O que diz a lei?

De acordo com a Lei dos Planos de Saúde (Lei nº 9.656/98), as operadoras são obrigadas a cobrir todas as doenças listadas na Classificação Internacional de Doenças (CID).

Essa cobertura inclui os tratamentos e cirurgias necessários para essas doenças, incluindo ortopédicas como a artroplastia.

Mas o resurfacing está no rol da ANS?

A Agência Nacional de Saúde Suplementar determina quais procedimentos os planos devem obrigatoriamente cobrir, e inclui a artroplastia de quadril em seu rol. 

E, embora o termo "resurfacing" não apareça explicitamente, ele é considerado uma variação técnica da artroplastia convencional.

A escolha da técnica cirúrgica costuma ser atribuída ao médico assistente, podendo ser questionada a interferência da operadora quando comprometer o tratamento indicado.

Além do mais, a Lei dos Planos de Saúde permite superar o rol da ANS sempre que há respaldo técnico-científico para o tratamento.

Sendo assim, mesmo que não esteja prevista no rol da ANS, a artroplastia de resurfacing pode ser coberta, segundo a lei.


E os materiais, como próteses e componentes metálicos?

Os planos também devem cobrir os materiais cirúrgicos essenciais à cirurgia, como:

  • Próteses metálicas de cromo-cobalto;
  • Componente acetabular não cimentado;
  • Componente femoral cimentado.

A escolha dos materiais cabe ao médico — não é o plano que decide qual tipo de prótese será usada.

artroplastia de resurfacing pelo plano de saúde
Foto: kjpargeter


O que fazer se o plano de saúde recusar a cobertura da artroplastia de resurfacing?

Infelizmente, negativas são mais comuns do que deveriam. Se isso acontecer, o beneficiário pode contestar a decisão e buscar a cobertura do procedimento pelo plano de saúde

Para isto, é importante seguir alguns passos importantes:

1. Peça a negativa por escrito

A operadora é obrigada a fornecer a justificativa por escrito, com base legal e técnica. Esse documento é essencial para ações futuras.

2. Reúna os documentos médicos

Separe todo o seu histórico clínico para embasar o pedido de cobertura da cirurgia. Reúna documentos como:

  • Relatório médico com indicação da cirurgia;
  • Exames de imagem (raios-X, ressonância, etc.);
  • Histórico do tratamento.

3. Envie um recurso administrativo

Com os documentos em mãos, envie um recurso para o plano solicitando a revisão da negativa. Fundamente com a lei e a recomendação médica. Se a operadora seguir a lei, deverá autorizar a artroplastia de resurfacing.

4. Reclame na ANS

Você também pode registrar uma reclamação no site www.gov.br/ans. Mas a efetividade dessa medida pode variar, especialmente em situações que exigem solução rápida.

5. Procure orientação jurídica especializada

Se as alternativas administrativas não forem suficientes, pode ser cabível o ajuizamento de ação judicial com pedido de liminar, especialmente em situações que envolvam urgência no tratamento. Nesses casos, o Poder Judiciário pode analisar o pedido de forma prioritária, a fim de evitar prejuízos à saúde do paciente. Ainda assim, a concessão da medida depende da análise das circunstâncias específicas de cada caso.

6. Já fez a cirurgia por conta própria? É possível pedir reembolso?

Se o procedimento foi custeado pelo próprio paciente após a negativa do plano de saúde, pode ser possível buscar o reembolso dos valores pela via judicial, inclusive com atualização monetária e eventual incidência de juros.

No entanto, essa possibilidade depende da análise das circunstâncias do caso, como a justificativa da negativa e a documentação médica apresentada. Por isso, a orientação de um advogado com experiência em Direito à Saúde é importante para avaliar a viabilidade da medida.


Esse tipo de ação é uma causa ganha?

Não é possível afirmar que uma ação judicial seja “causa ganha”, já que cada caso depende da análise de diversos fatores, como a documentação apresentada, a justificativa da negativa e o entendimento do Judiciário.

Embora existam decisões favoráveis em situações semelhantes, isso não garante o mesmo resultado em todos os casos.

Por isso, é fundamental contar com a orientação de um advogado com experiência em Direito à Saúde, que poderá avaliar as particularidades da situação e indicar as possibilidades jurídicas mais adequadas.

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A importância do suporte jurídico especializado em casos de negativa de cobertura

Quando o plano de saúde recusa a cobertura da artroplastia de resurfacing - mesmo com prescrição médica e indicação clínica adequada -, o paciente pode estar diante de uma negativa potencialmente abusiva.

A legislação brasileira prevê a cobertura de tratamentos necessários às doenças previstas contratualmente. Ainda assim, é comum que operadoras apresentem justificativas contratuais ou técnicas para negar determinados procedimentos.

Nessas situações, o acompanhamento jurídico especializado em Direito à Saúde exerce papel relevante na análise da negativa e na orientação sobre as medidas cabíveis.

Profissionais da área atuam com base em diferentes referências, como:

  • As normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS);
  • A Lei nº 9.656/98 (Lei dos Planos de Saúde);
  • E o entendimento consolidado dos tribunais sobre a obrigatoriedade de cobertura.

A partir dessa análise, é possível verificar se a recusa encontra respaldo legal e quais medidas podem ser adotadas para buscar o acesso ao tratamento indicado.

Resumindo, o suporte jurídico especializado contribui para uma avaliação técnica da situação, oferecendo maior segurança na tomada de decisões em um momento sensível.

A artroplastia de resurfacing é uma técnica moderna utilizada no tratamento da artrose, com potencial de preservar mobilidade e qualidade de vida.

Quando há recomendação médica fundamentada, o procedimento pode, em determinadas situações, ser objeto de discussão quanto à cobertura pelos planos de saúde, conforme a legislação vigente e o entendimento aplicado ao caso concreto.

Perguntas frequentes sobre artroplastia de resurfacing e plano de saúde

Plano de saúde cobre prótese de quadril moderna?

Em geral, os planos de saúde devem cobrir cirurgias ortopédicas indicadas para o tratamento de doenças previstas no contrato, como a artrose de quadril. Isso inclui o uso de próteses modernas, desde que haja indicação médica fundamentada.

A escolha do tipo de prótese e da técnica cirúrgica costuma ser definida pelo médico assistente, podendo ser questionadas eventuais limitações impostas pela operadora quando comprometerem o tratamento indicado.

Ainda assim, a cobertura deve ser analisada conforme as condições contratuais e as particularidades de cada caso.

Quanto custa a artroplastia de resurfacing?

O custo da artroplastia de resurfacing pode variar conforme a equipe médica, o hospital e os materiais utilizados.

No Brasil, em abril de 2026, o valor particular da artroplastia de resurfacing costuma ficar entre R$ 40.000 e R$ 90.000, com uma média entre R$ 45.000 e R$ 75.000 em regiões como São Paulo e Campinas.

Esse valor geralmente inclui diferentes componentes do procedimento, como:

  • Prótese importada: entre R$ 15.000 e R$ 35.000;
  • Custos hospitalares: entre R$ 8.000 e R$ 20.000;
  • Honorários médicos: entre R$ 10.000 e R$ 25.000;
  • Internação e demais despesas assistenciais.

Por se tratar de uma cirurgia de alto custo, quando há indicação médica, muitos pacientes buscam a cobertura pelo plano de saúde ou avaliam as medidas cabíveis em caso de negativa, a depender das circunstâncias do caso.

É possível conseguir liminar para realizar a cirurgia?

Em situações em que há urgência no tratamento e negativa de cobertura pelo plano de saúde, pode ser cabível o ajuizamento de ação judicial com pedido de liminar.

Nesses casos, o Judiciário pode analisar o pedido com prioridade, especialmente quando há risco de agravamento do quadro clínico.

No entanto, a concessão da liminar depende da análise do caso concreto, incluindo a documentação médica e os fundamentos jurídicos apresentados.

Por isso, a orientação de um advogado com experiência em Direito à Saúde é importante para avaliar a viabilidade da medida e indicar o caminho mais adequado.

Escrito por:

Autor Elton Fernandes

Elton Fernandes, advogado especialista em Direito da Saúde, professor convidado de pós-graduação da USP, da USP de Ribeirão Preto, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, da Escola Paulista de Direito (EPD) e do Instituto Luiz Mário Moutinho, em Recife. É presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB de São Caetano do Sul e autor do livro "Manual de Direito da Saúde Suplementar: direito material e processual em ações contra planos de saúde".

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